Horror - o Berardo na SicNotícias
Ontem, 15 de Outubro, o noticiário das 9h (creio) da SicNotícias abriu com um tremendo ataque ao BCP e a Jardim Gonçalves numa exibição despudorada do poder mediático. Pagos ou não para o fazer, fizeram o jogo do Berardo e, eventualmente, de outros mais discretos mas igualmente interessados. Não foi um espectáculo digno.
Em primeiro lugar, dar meia hora de tempo de antena ao ogre que mal fala português é uma bajulice ao dinheiro do descarado.
Em segundo lugar, todo o mundo sabe que o Berardo está em guerra aberta com esta administração do BCP que, inclusivé, lhe prometeu interpôr uma acção por injúrias ou por difamação anteriores. Falou sem oposição nem contraditório, tendo o jornalista, Mário Crespo, excedido os limites do admissível nas indagações que lhe fazia, mais parecendo parte interessada. Toscamente exigia mais declarações bombásticas do "homem do megafone emprestado" que aproveitou o tempo de antena extra que lhe concediam para dar mais umas alfinetadas noutros parceiros de negócio com quem tem diferendos (a Papelaria Fernandes e a Sogrape. Pelo menos neste último caso os diferendos são tão graves que já chegaram à via judicial. Alfinetadas que dada a posição de privilégio que detem nas televisões lhe dá um poder negocial extra). Convem lembrar que, ainda que quisesse, o BCP não pode publicamente falar sobre assuntos que dizem respeito a clientes sob pena de violar o sigilo bancário. Claro que é obrigado a dar resposta às perguntas que o Banco de Portugal faça no estrito limite das competências de regulação da actividade financeira que lhe foram atribuídas (nomeadamente para questionar se a legislação que impede a concessão de créditos a membros dos orgãos sociais e seus familiares foi ou não violada). E igualmente dar resposta à CMVM quanto a eventual tratamento de favor que o BCP tenha concedido a um sócio o que tenha recusado a outros. Mais do que isso não pode o BCP fazer, pois o negócio financeiro é por natureza sigiloso.
Em terceiro lugar, era da mais "razoável sensatez" os senhores jornalistas só tomarem posição depois das entidades reguladores da actividade em causa dizerem de sua justiça. Bem sei que qualquer mortal é crucificado pelos media muito antes de ser condenado. O espectáculo exige. Mas neste caso andam a brincar com o dinheiro dos investidores (dos pequenos que dos grandes ninguém tem pena e todos se sentem autorizados ao "mata, esfola"). O Berardo, com a empáfia que o dinheiro lhe dá, diz que vai para tribunal se não gostar das atitudes que o Banco de Portugal e a CMVM tomarem nesta questão. Os senhores jornalistas também podiam esperar antes de colaborarem com o Berardo, pois está para se saber se esta não é uma campanha orquestrada. O Berardo disse na entrevista que não é ele o chefe da orquestra. Será ?
Em quarto lugar, o Banco é dos accionistas e de alguma forma dos depositantes. Quanto aos depositantes, o Banco é sólido e podem sair e escolher novo banco para os seus depósitos a qualquer momento. No que respeita aos accionistas de um banco exclusivamente privado, o ideal era deixarmos que se desenvencilhassem dos seus problemas, nomeadamente, o da luta pelo poder. Não me venham dizer que estão a defender os interesses dos pequenos accionistas porque a curto prazo estão certamente a prejudicá-los e muitas vezes o pequeno accionista não pode manter essa posição durante muito tempo e tem que vender à pressa.
Em quinto lugar, falar em "perdão" da dívida quando o que aparentemente se fez foi considerar a dívida incobrável, é prova de má fé indesculpável. Entretanto, já começam nos jornais a abandonar essa expressão e a utilizar outra, também infeliz: o "esquecimento" da dívida.
Infelizmente parece que ninguém tem sentido de responsabilidade nas televisões e brincam com coisas sérias. Não tinha o Mário Crespo nesta conta.
Engraçado e quem sabe se intencional foi o primeiro anúncio do intervalo, logo a seguir ao fim da entrevista do Berardo. O anúncio era exactamente do BCP onde, com vozes excepcionalmente cândidas (que naquele momento soavam a falso e eram deslocadas pela suspeição levantada na entrevista sobre a seriedade do banco), se aconselhava as pessoas a depositarem os seus aforros no banco e ali solicitarem os seus empréstimos. Imediatamente surge a suspeita de que havia intenção malévola por detrás, tão desadequado foi o momento para passar o anúncio. Claro que pode ter sido coincidência.
Uma hora depois, ainda na SicNotícias, num frente a frente entre Manuel Monteiro e João Soares, este último deu mais uma achega. Evidentemente que o tema do grande capital o preocupa. Não fosse ele socialista dos bons, dos genuínos. O episódio comentado no telejornal anterior fê-lo considerar que a actividade bancária já não se rege pelos sãos princípios de há trinta, quarenta anos, quando era uma actividade séria. Agora as sociedades actuais, informatizadas e globalizadas têm que repensar e maduramente ponderar para onde nos levam os banqueiros. A actividade financeira mais parece uma actividade de casino, afiançava. Onde apenas se quer ganhar dinheiro imediatamente e a qualquer preço e onde, construir reputações como antigamente, já não é uma preocupação. E logo deu o exemplo de um corretor que no extremo oriente tinha levado à falência um banco dos mais antigos do Reino Unido numa fraude descomunal. É verdade !! Quase ficou rico, o homem. Foi descoberto antes de tapar o buraco. Mas já o Alves dos Reis quase ficava rico e, ainda por cima, simultâneamente quase ficava dono do Banco de Portugal (se a memória me não falha).
A família Soares viveu e prosperou no medo do comunismo. Na família não se sentem "a gusto" se, salvar-nos da “besta”, já não fôr o seu papel grandioso. Será por isso que o esquerdismo se lhes renova serôdiamente e com força ? Claro que, se o papão se reinstalasse, cá estariam eles para se aliarem aos americanos e nos resgatarem.
Em resumo, estes ataques ao grande capital por parte dos media servem as estratégias de alguns grandes capitalistas; contraditoriamente, alimentam as ambições de uma nova ordem mundial; e, talvez mais feio que tudo, fazem fervilhar em lume brando a inveja das massas remediadas e/ou remendadas na esperança de um dia nos darem a assistir o explodir do vulcão a explodir, passando os senhores jornalistas a ter um maior protagonismo em nova tomada da Bastilha. Imaginem como seria grandioso se a Revolução Francesa passasse diariamente em directo às oito horas, num contínuo espectáculo televisivo, em episódios escaldantes. Não se sabe como o quarto poder encaixaria no puzzle. O problema é que, na primeira cambalhota da Revolução, os revolucionários podiam ir pela cabeça do Mário Crespo.
Nota final: Declaração de interesses: não tenho acções no BCP. Outras declarações : se o BCP concedeu financiamento às empresas do grupo a que pertence o filho de Jardim Gonçalves, sem exigir garantias reais ou pessoais sólidas, pode ser o fim da carreira do Eng. Jardim Gonçalves porque o episódio não o deixa bem visto. Mas têm que ser os accionistas a tirar essa conclusão. Não sei se o Banco de Portugal tem competência para agir nessa matéria.
Ontem, 15 de Outubro, o noticiário das 9h (creio) da SicNotícias abriu com um tremendo ataque ao BCP e a Jardim Gonçalves numa exibição despudorada do poder mediático. Pagos ou não para o fazer, fizeram o jogo do Berardo e, eventualmente, de outros mais discretos mas igualmente interessados. Não foi um espectáculo digno.
Em primeiro lugar, dar meia hora de tempo de antena ao ogre que mal fala português é uma bajulice ao dinheiro do descarado.
Em segundo lugar, todo o mundo sabe que o Berardo está em guerra aberta com esta administração do BCP que, inclusivé, lhe prometeu interpôr uma acção por injúrias ou por difamação anteriores. Falou sem oposição nem contraditório, tendo o jornalista, Mário Crespo, excedido os limites do admissível nas indagações que lhe fazia, mais parecendo parte interessada. Toscamente exigia mais declarações bombásticas do "homem do megafone emprestado" que aproveitou o tempo de antena extra que lhe concediam para dar mais umas alfinetadas noutros parceiros de negócio com quem tem diferendos (a Papelaria Fernandes e a Sogrape. Pelo menos neste último caso os diferendos são tão graves que já chegaram à via judicial. Alfinetadas que dada a posição de privilégio que detem nas televisões lhe dá um poder negocial extra). Convem lembrar que, ainda que quisesse, o BCP não pode publicamente falar sobre assuntos que dizem respeito a clientes sob pena de violar o sigilo bancário. Claro que é obrigado a dar resposta às perguntas que o Banco de Portugal faça no estrito limite das competências de regulação da actividade financeira que lhe foram atribuídas (nomeadamente para questionar se a legislação que impede a concessão de créditos a membros dos orgãos sociais e seus familiares foi ou não violada). E igualmente dar resposta à CMVM quanto a eventual tratamento de favor que o BCP tenha concedido a um sócio o que tenha recusado a outros. Mais do que isso não pode o BCP fazer, pois o negócio financeiro é por natureza sigiloso.
Em terceiro lugar, era da mais "razoável sensatez" os senhores jornalistas só tomarem posição depois das entidades reguladores da actividade em causa dizerem de sua justiça. Bem sei que qualquer mortal é crucificado pelos media muito antes de ser condenado. O espectáculo exige. Mas neste caso andam a brincar com o dinheiro dos investidores (dos pequenos que dos grandes ninguém tem pena e todos se sentem autorizados ao "mata, esfola"). O Berardo, com a empáfia que o dinheiro lhe dá, diz que vai para tribunal se não gostar das atitudes que o Banco de Portugal e a CMVM tomarem nesta questão. Os senhores jornalistas também podiam esperar antes de colaborarem com o Berardo, pois está para se saber se esta não é uma campanha orquestrada. O Berardo disse na entrevista que não é ele o chefe da orquestra. Será ?
Em quarto lugar, o Banco é dos accionistas e de alguma forma dos depositantes. Quanto aos depositantes, o Banco é sólido e podem sair e escolher novo banco para os seus depósitos a qualquer momento. No que respeita aos accionistas de um banco exclusivamente privado, o ideal era deixarmos que se desenvencilhassem dos seus problemas, nomeadamente, o da luta pelo poder. Não me venham dizer que estão a defender os interesses dos pequenos accionistas porque a curto prazo estão certamente a prejudicá-los e muitas vezes o pequeno accionista não pode manter essa posição durante muito tempo e tem que vender à pressa.
Em quinto lugar, falar em "perdão" da dívida quando o que aparentemente se fez foi considerar a dívida incobrável, é prova de má fé indesculpável. Entretanto, já começam nos jornais a abandonar essa expressão e a utilizar outra, também infeliz: o "esquecimento" da dívida.
Infelizmente parece que ninguém tem sentido de responsabilidade nas televisões e brincam com coisas sérias. Não tinha o Mário Crespo nesta conta.
Engraçado e quem sabe se intencional foi o primeiro anúncio do intervalo, logo a seguir ao fim da entrevista do Berardo. O anúncio era exactamente do BCP onde, com vozes excepcionalmente cândidas (que naquele momento soavam a falso e eram deslocadas pela suspeição levantada na entrevista sobre a seriedade do banco), se aconselhava as pessoas a depositarem os seus aforros no banco e ali solicitarem os seus empréstimos. Imediatamente surge a suspeita de que havia intenção malévola por detrás, tão desadequado foi o momento para passar o anúncio. Claro que pode ter sido coincidência.
Uma hora depois, ainda na SicNotícias, num frente a frente entre Manuel Monteiro e João Soares, este último deu mais uma achega. Evidentemente que o tema do grande capital o preocupa. Não fosse ele socialista dos bons, dos genuínos. O episódio comentado no telejornal anterior fê-lo considerar que a actividade bancária já não se rege pelos sãos princípios de há trinta, quarenta anos, quando era uma actividade séria. Agora as sociedades actuais, informatizadas e globalizadas têm que repensar e maduramente ponderar para onde nos levam os banqueiros. A actividade financeira mais parece uma actividade de casino, afiançava. Onde apenas se quer ganhar dinheiro imediatamente e a qualquer preço e onde, construir reputações como antigamente, já não é uma preocupação. E logo deu o exemplo de um corretor que no extremo oriente tinha levado à falência um banco dos mais antigos do Reino Unido numa fraude descomunal. É verdade !! Quase ficou rico, o homem. Foi descoberto antes de tapar o buraco. Mas já o Alves dos Reis quase ficava rico e, ainda por cima, simultâneamente quase ficava dono do Banco de Portugal (se a memória me não falha).
A família Soares viveu e prosperou no medo do comunismo. Na família não se sentem "a gusto" se, salvar-nos da “besta”, já não fôr o seu papel grandioso. Será por isso que o esquerdismo se lhes renova serôdiamente e com força ? Claro que, se o papão se reinstalasse, cá estariam eles para se aliarem aos americanos e nos resgatarem.
Em resumo, estes ataques ao grande capital por parte dos media servem as estratégias de alguns grandes capitalistas; contraditoriamente, alimentam as ambições de uma nova ordem mundial; e, talvez mais feio que tudo, fazem fervilhar em lume brando a inveja das massas remediadas e/ou remendadas na esperança de um dia nos darem a assistir o explodir do vulcão a explodir, passando os senhores jornalistas a ter um maior protagonismo em nova tomada da Bastilha. Imaginem como seria grandioso se a Revolução Francesa passasse diariamente em directo às oito horas, num contínuo espectáculo televisivo, em episódios escaldantes. Não se sabe como o quarto poder encaixaria no puzzle. O problema é que, na primeira cambalhota da Revolução, os revolucionários podiam ir pela cabeça do Mário Crespo.
Nota final: Declaração de interesses: não tenho acções no BCP. Outras declarações : se o BCP concedeu financiamento às empresas do grupo a que pertence o filho de Jardim Gonçalves, sem exigir garantias reais ou pessoais sólidas, pode ser o fim da carreira do Eng. Jardim Gonçalves porque o episódio não o deixa bem visto. Mas têm que ser os accionistas a tirar essa conclusão. Não sei se o Banco de Portugal tem competência para agir nessa matéria.