domingo, 18 de novembro de 2007

ABRUPTO

ABRUPTO: "Como Louçã já não pode usar às claras a linguagem anti-capitalista que é a sua e a do trotsquismo, substituiu-a por uma linguagem 'moral', insuportável na sua jactância e nas permanentes lições que distribui a torto e a direito, num estilo de Torquemada, o 'martelo dos hereges'."

sábado, 17 de novembro de 2007

A REVOLTA DO AUTOMOBILISTA

Multa de estacionamento

Hoje, sábado à noite, fui multado por estacionamento indevido. A multa por estacionamento indevido é de €30,00. Mas a Polícia Municipal anda à solta no sábado à noite e bloqueia carros em cima do passeio. O bloqueio faz subir a multa para o dobro, €60,00. No meu caso o passeio tinha 10 metros de profundidade e eu ocupei dois metros. Sabemos que o António Costa foi eleito para a Câmara sob a bandeira da perseguição ao automobilista que estacionasse em segunda fila e em cima do passeio. Em segunda fila o estacionamento prejudica a fluidez do trânsito e em caso algum faz sentido o automobilista deixar o seu carro em segunda fila e ir à sua vida. Estacionar em cima do passeio também é ilegal e se pensarmos nas situações em que os carros obstruem integralmente o passeio, não deixando espaço para a circulação de peões, aceita-se que haja dureza por parte da autoridade policial. Mas num passeio com 10 metros de profundidade, num sábado à noite, é vontade de amealhar uns cobres. Mas pior é a racionalidade da disposição legal que autoriza a cobrança em dobro de uma multa de estacionamento. O valor da multa básica, € 30,00, não tem por fim pagar o serviço de quem multa. Serve, a meu ver, para dissuadir a infracção. Que depois o Estado e as Câmaras compensem as despesas com as receitas, isso é outro negócio. Se a função da multa fosse o pagamento do serviço do polícia que autua, esse serviço estaria a ser pago principescamente, até porque €30,00 é o valor da multa mais insignificante e as outras multas mais elevadas também pagam o serviço. Por isso quando nos vêm dizer que a razão de ser do aumento do valor da multa para €60,00 serve para pagar o serviço de desbloqueamento, eu digo: “ESTÃO MEXENDO NO MEU BOLSO”. A vontade de gritar é enorme. E a impotência é desmedida. É que a vontade de recolher receita em Lisboa à custa do automobilista, deixa-me à beira da revolta. Digo por mim mas falo por todos, creio. Começa neste caso e acaba nos radares com limites de velocidade inadequados às características das vias e à qualidade dos automóveis, na sua estabilidade e na tecnologia dos travões. A qualidade dos automóveis e das vias ao tempo em que esses limites de velocidade foram pensados não tem coisa alguma a ver com a qualidade e tecnologia actuais de vias e veículos. Estão a séculos / kilómetros de distância. Já não há carroças a circular nas cidades; as vias têm semáforos e, junto a eles, há passagens para peões; os pisos e os desenhos das vias são modernos e são de qualidade (nos casos em que não forem, estabeleçam-se limites diferentes). Fará algum sentido estabelecer um limite de velocidade de 50 km à hora numa via com seis faixas de rodagem com apenas cruzamentos de um dos lados e todos com semáforos? Ainda por cima à noite quando nem sequer há trânsito. À noite quando o risco de acidente é menor, é que a Câmara começa a facturar e a salivar como o Conde Drácula. Faço um apelo à revolta. Atiremos-lhes com uma cruz, uma bala de prata, uma estocada no peito, uma resma de alhos. Qualquer coisa que acabe com o incómodo.

terça-feira, 6 de novembro de 2007


Duas pequenas perplexidades.


A primeira : na contra-capa do Público, publica-se a rubrica "Sobe e desce" que tem um pequeno texto e fotografia dos visados , e onde se valoriza quem tem mérito (com uma seta a subir) e denigre-se o demérito (com uma seta a descer). Hoje, 6 de Nov. 2007, aparece a descer imagine-se quem ? D. Salvatore "Lo Piccolo". O personagem é um chefe da Mafia que foi preso depois de passar 25 anos na clandestinidade. Como "Lo Piccolo", por causa do seu métier, só podia estar com a seta a descer, procuro, e à primeira não alcanço, o motivo por que "Lo Piccolo" tem direito a comparecer na rubrica. Mas pensando um pouco, lá descobri (pensar sempre ajuda). Deve ser porque o homem se deixou prender !!!! Enquanto andou solto, a fazer tropelias, devia ter aparecido com a seta subir. Alguém, porém, se esqueceu do pequeno Piccolo e nunca foi distinguido com tal sorte.


A segunda : Informam-me que António Lobo Antunes em entrevista à revista Visão declara: "... não tenho a menor dúvida de que não há, na língua portuguesa, quem me chegue aos calcanhares". Percebo que a comparação abrange também as outras literaturas em português, brasileira e outras. A frase não tem erros, vá lá. Mas o homem é um vaidosão. Isso é patente quando é entrevistado na rádio. Pressente-se o pedante a olhar para o tom da sua voz e para o efeito das suas palavras, igual ao vaidoso a olhar no espelho o seu umbigo. Parece que o azedume que, em última análise, é o que está por detrás da prosápia, não é mais do que a raiva ao Saramago que, por seu lado, não é pedante mas é um ressabiado social que atingiu o estrelato. Um antipático, enfim... . Como pessoa prefiro a Agustina que é por certo comparável na escrita a estes dois matulões. A Agustina é doce e cúmplice no trato e guarda o vinagre e os defeitos da virtude para as suas personagens.