domingo, 18 de novembro de 2007

ABRUPTO

ABRUPTO: "Como Louçã já não pode usar às claras a linguagem anti-capitalista que é a sua e a do trotsquismo, substituiu-a por uma linguagem 'moral', insuportável na sua jactância e nas permanentes lições que distribui a torto e a direito, num estilo de Torquemada, o 'martelo dos hereges'."

sábado, 17 de novembro de 2007

A REVOLTA DO AUTOMOBILISTA

Multa de estacionamento

Hoje, sábado à noite, fui multado por estacionamento indevido. A multa por estacionamento indevido é de €30,00. Mas a Polícia Municipal anda à solta no sábado à noite e bloqueia carros em cima do passeio. O bloqueio faz subir a multa para o dobro, €60,00. No meu caso o passeio tinha 10 metros de profundidade e eu ocupei dois metros. Sabemos que o António Costa foi eleito para a Câmara sob a bandeira da perseguição ao automobilista que estacionasse em segunda fila e em cima do passeio. Em segunda fila o estacionamento prejudica a fluidez do trânsito e em caso algum faz sentido o automobilista deixar o seu carro em segunda fila e ir à sua vida. Estacionar em cima do passeio também é ilegal e se pensarmos nas situações em que os carros obstruem integralmente o passeio, não deixando espaço para a circulação de peões, aceita-se que haja dureza por parte da autoridade policial. Mas num passeio com 10 metros de profundidade, num sábado à noite, é vontade de amealhar uns cobres. Mas pior é a racionalidade da disposição legal que autoriza a cobrança em dobro de uma multa de estacionamento. O valor da multa básica, € 30,00, não tem por fim pagar o serviço de quem multa. Serve, a meu ver, para dissuadir a infracção. Que depois o Estado e as Câmaras compensem as despesas com as receitas, isso é outro negócio. Se a função da multa fosse o pagamento do serviço do polícia que autua, esse serviço estaria a ser pago principescamente, até porque €30,00 é o valor da multa mais insignificante e as outras multas mais elevadas também pagam o serviço. Por isso quando nos vêm dizer que a razão de ser do aumento do valor da multa para €60,00 serve para pagar o serviço de desbloqueamento, eu digo: “ESTÃO MEXENDO NO MEU BOLSO”. A vontade de gritar é enorme. E a impotência é desmedida. É que a vontade de recolher receita em Lisboa à custa do automobilista, deixa-me à beira da revolta. Digo por mim mas falo por todos, creio. Começa neste caso e acaba nos radares com limites de velocidade inadequados às características das vias e à qualidade dos automóveis, na sua estabilidade e na tecnologia dos travões. A qualidade dos automóveis e das vias ao tempo em que esses limites de velocidade foram pensados não tem coisa alguma a ver com a qualidade e tecnologia actuais de vias e veículos. Estão a séculos / kilómetros de distância. Já não há carroças a circular nas cidades; as vias têm semáforos e, junto a eles, há passagens para peões; os pisos e os desenhos das vias são modernos e são de qualidade (nos casos em que não forem, estabeleçam-se limites diferentes). Fará algum sentido estabelecer um limite de velocidade de 50 km à hora numa via com seis faixas de rodagem com apenas cruzamentos de um dos lados e todos com semáforos? Ainda por cima à noite quando nem sequer há trânsito. À noite quando o risco de acidente é menor, é que a Câmara começa a facturar e a salivar como o Conde Drácula. Faço um apelo à revolta. Atiremos-lhes com uma cruz, uma bala de prata, uma estocada no peito, uma resma de alhos. Qualquer coisa que acabe com o incómodo.

terça-feira, 6 de novembro de 2007


Duas pequenas perplexidades.


A primeira : na contra-capa do Público, publica-se a rubrica "Sobe e desce" que tem um pequeno texto e fotografia dos visados , e onde se valoriza quem tem mérito (com uma seta a subir) e denigre-se o demérito (com uma seta a descer). Hoje, 6 de Nov. 2007, aparece a descer imagine-se quem ? D. Salvatore "Lo Piccolo". O personagem é um chefe da Mafia que foi preso depois de passar 25 anos na clandestinidade. Como "Lo Piccolo", por causa do seu métier, só podia estar com a seta a descer, procuro, e à primeira não alcanço, o motivo por que "Lo Piccolo" tem direito a comparecer na rubrica. Mas pensando um pouco, lá descobri (pensar sempre ajuda). Deve ser porque o homem se deixou prender !!!! Enquanto andou solto, a fazer tropelias, devia ter aparecido com a seta subir. Alguém, porém, se esqueceu do pequeno Piccolo e nunca foi distinguido com tal sorte.


A segunda : Informam-me que António Lobo Antunes em entrevista à revista Visão declara: "... não tenho a menor dúvida de que não há, na língua portuguesa, quem me chegue aos calcanhares". Percebo que a comparação abrange também as outras literaturas em português, brasileira e outras. A frase não tem erros, vá lá. Mas o homem é um vaidosão. Isso é patente quando é entrevistado na rádio. Pressente-se o pedante a olhar para o tom da sua voz e para o efeito das suas palavras, igual ao vaidoso a olhar no espelho o seu umbigo. Parece que o azedume que, em última análise, é o que está por detrás da prosápia, não é mais do que a raiva ao Saramago que, por seu lado, não é pedante mas é um ressabiado social que atingiu o estrelato. Um antipático, enfim... . Como pessoa prefiro a Agustina que é por certo comparável na escrita a estes dois matulões. A Agustina é doce e cúmplice no trato e guarda o vinagre e os defeitos da virtude para as suas personagens.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Horror - o Berardo na SicNotícias

Horror - o Berardo na SicNotícias

Ontem, 15 de Outubro, o noticiário das 9h (creio) da SicNotícias abriu com um tremendo ataque ao BCP e a Jardim Gonçalves numa exibição despudorada do poder mediático. Pagos ou não para o fazer, fizeram o jogo do Berardo e, eventualmente, de outros mais discretos mas igualmente interessados. Não foi um espectáculo digno.
Em primeiro lugar, dar meia hora de tempo de antena ao ogre que mal fala português é uma bajulice ao dinheiro do descarado.
Em segundo lugar, todo o mundo sabe que o Berardo está em guerra aberta com esta administração do BCP que, inclusivé, lhe prometeu interpôr uma acção por injúrias ou por difamação anteriores. Falou sem oposição nem contraditório, tendo o jornalista, Mário Crespo, excedido os limites do admissível nas indagações que lhe fazia, mais parecendo parte interessada. Toscamente exigia mais declarações bombásticas do "homem do megafone emprestado" que aproveitou o tempo de antena extra que lhe concediam para dar mais umas alfinetadas noutros parceiros de negócio com quem tem diferendos (a Papelaria Fernandes e a Sogrape. Pelo menos neste último caso os diferendos são tão graves que já chegaram à via judicial. Alfinetadas que dada a posição de privilégio que detem nas televisões lhe dá um poder negocial extra). Convem lembrar que, ainda que quisesse, o BCP não pode publicamente falar sobre assuntos que dizem respeito a clientes sob pena de violar o sigilo bancário. Claro que é obrigado a dar resposta às perguntas que o Banco de Portugal faça no estrito limite das competências de regulação da actividade financeira que lhe foram atribuídas (nomeadamente para questionar se a legislação que impede a concessão de créditos a membros dos orgãos sociais e seus familiares foi ou não violada). E igualmente dar resposta à CMVM quanto a eventual tratamento de favor que o BCP tenha concedido a um sócio o que tenha recusado a outros. Mais do que isso não pode o BCP fazer, pois o negócio financeiro é por natureza sigiloso.
Em terceiro lugar, era da mais "razoável sensatez" os senhores jornalistas só tomarem posição depois das entidades reguladores da actividade em causa dizerem de sua justiça. Bem sei que qualquer mortal é crucificado pelos media muito antes de ser condenado. O espectáculo exige. Mas neste caso andam a brincar com o dinheiro dos investidores (dos pequenos que dos grandes ninguém tem pena e todos se sentem autorizados ao "mata, esfola"). O Berardo, com a empáfia que o dinheiro lhe dá, diz que vai para tribunal se não gostar das atitudes que o Banco de Portugal e a CMVM tomarem nesta questão. Os senhores jornalistas também podiam esperar antes de colaborarem com o Berardo, pois está para se saber se esta não é uma campanha orquestrada. O Berardo disse na entrevista que não é ele o chefe da orquestra. Será ?
Em quarto lugar, o Banco é dos accionistas e de alguma forma dos depositantes. Quanto aos depositantes, o Banco é sólido e podem sair e escolher novo banco para os seus depósitos a qualquer momento. No que respeita aos accionistas de um banco exclusivamente privado, o ideal era deixarmos que se desenvencilhassem dos seus problemas, nomeadamente, o da luta pelo poder. Não me venham dizer que estão a defender os interesses dos pequenos accionistas porque a curto prazo estão certamente a prejudicá-los e muitas vezes o pequeno accionista não pode manter essa posição durante muito tempo e tem que vender à pressa.
Em quinto lugar, falar em "perdão" da dívida quando o que aparentemente se fez foi considerar a dívida incobrável, é prova de má fé indesculpável. Entretanto, já começam nos jornais a abandonar essa expressão e a utilizar outra, também infeliz: o "esquecimento" da dívida.
Infelizmente parece que ninguém tem sentido de responsabilidade nas televisões e brincam com coisas sérias. Não tinha o Mário Crespo nesta conta.
Engraçado e quem sabe se intencional foi o primeiro anúncio do intervalo, logo a seguir ao fim da entrevista do Berardo. O anúncio era exactamente do BCP onde, com vozes excepcionalmente cândidas (que naquele momento soavam a falso e eram deslocadas pela suspeição levantada na entrevista sobre a seriedade do banco), se aconselhava as pessoas a depositarem os seus aforros no banco e ali solicitarem os seus empréstimos. Imediatamente surge a suspeita de que havia intenção malévola por detrás, tão desadequado foi o momento para passar o anúncio. Claro que pode ter sido coincidência.
Uma hora depois, ainda na SicNotícias, num frente a frente entre Manuel Monteiro e João Soares, este último deu mais uma achega. Evidentemente que o tema do grande capital o preocupa. Não fosse ele socialista dos bons, dos genuínos. O episódio comentado no telejornal anterior fê-lo considerar que a actividade bancária já não se rege pelos sãos princípios de há trinta, quarenta anos, quando era uma actividade séria. Agora as sociedades actuais, informatizadas e globalizadas têm que repensar e maduramente ponderar para onde nos levam os banqueiros. A actividade financeira mais parece uma actividade de casino, afiançava. Onde apenas se quer ganhar dinheiro imediatamente e a qualquer preço e onde, construir reputações como antigamente, já não é uma preocupação. E logo deu o exemplo de um corretor que no extremo oriente tinha levado à falência um banco dos mais antigos do Reino Unido numa fraude descomunal. É verdade !! Quase ficou rico, o homem. Foi descoberto antes de tapar o buraco. Mas já o Alves dos Reis quase ficava rico e, ainda por cima, simultâneamente quase ficava dono do Banco de Portugal (se a memória me não falha).
A família Soares viveu e prosperou no medo do comunismo. Na família não se sentem "a gusto" se, salvar-nos da “besta”, já não fôr o seu papel grandioso. Será por isso que o esquerdismo se lhes renova serôdiamente e com força ? Claro que, se o papão se reinstalasse, cá estariam eles para se aliarem aos americanos e nos resgatarem.
Em resumo, estes ataques ao grande capital por parte dos media servem as estratégias de alguns grandes capitalistas; contraditoriamente, alimentam as ambições de uma nova ordem mundial; e, talvez mais feio que tudo, fazem fervilhar em lume brando a inveja das massas remediadas e/ou remendadas na esperança de um dia nos darem a assistir o explodir do vulcão a explodir, passando os senhores jornalistas a ter um maior protagonismo em nova tomada da Bastilha. Imaginem como seria grandioso se a Revolução Francesa passasse diariamente em directo às oito horas, num contínuo espectáculo televisivo, em episódios escaldantes. Não se sabe como o quarto poder encaixaria no puzzle. O problema é que, na primeira cambalhota da Revolução, os revolucionários podiam ir pela cabeça do Mário Crespo.
Nota final: Declaração de interesses: não tenho acções no BCP. Outras declarações : se o BCP concedeu financiamento às empresas do grupo a que pertence o filho de Jardim Gonçalves, sem exigir garantias reais ou pessoais sólidas, pode ser o fim da carreira do Eng. Jardim Gonçalves porque o episódio não o deixa bem visto. Mas têm que ser os accionistas a tirar essa conclusão. Não sei se o Banco de Portugal tem competência para agir nessa matéria.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

O Tratado Reformador

A União Europeia e a presidência portuguesa da União Europeia pretendem rever o texto do Tratado Constitucional Europeu, aprovando o que chamam de «Tratado Reformador». Alegam, por outro lado, que este texto a aprovar é um simples tratado que não tem dignidade constitucional e que portanto não deve ser sujeito a referendo como muitos outros ainda em vigor, não só em Portugal (onde existia o compromisso político de referendar o Tratado Constitucional) como noutros países europeus (onde esse referendo se realizou por imposição constitucional interna). Ora acontece que se mantém o fundamental do texto anterior, nomeadamente: a) a acentuação do predomínio dos grandes Estados (com a limitação das minorias de bloqueio que ficam apenas reservadas aos grandes; daí as dificuldades polacas de aceitar um tratado que lhe vem retirar direitos em relação ao acordado no Tratado de Nice; estranhamente a Espanha outra das prejudicadas pelas novas regras nem negoceia a perda da sua posição de semi-grande com estatuto de grande), b) as implicações da presidência fixa (que afastará a presidência das populações, tornando-a tão distante como a própria Comissão Europeia), c) a impulsão do processo de integração no sentido federalista, podendo com este tratado vir um dia a ser posto em causa o estatuto dos estados-membros como entes soberanos.
Penso que as figuras de Presidente e de Ministro de Negócios Estrangeiros da União Europeia também se mantêm em relação ao previsto no tratado constitucional de triste memória.
E, para atenuar as críticas dos sectores que se opôem ao cariz neo-liberal da integração europeia, pretende substituir-se o princípio "economia de mercado aberto e de livre concorrência" constante dos tratados, pela fórmula/princípio que define a União Europeia como "economia social de mercado altamente competitiva que tenha como meta o pleno emprego e o progresso social" (parece uma disposição retirada da Constituição Portuguesa com o acrescento "altamente competitiva").
Não se percebe, por isso, por que razão a ideia de referendar este Tratado Reformador levanta tantas objecções a pessoas cuja idoneidade política e seriedade intelectual está acima de qualquer suspeita (vd. a posição da Doutora Assunção Esteves que se demitiu de eurodeputada, eleita pelo PSD, por não concordar com a posição deste partido de exigir que se realize, como prometido, um referendo para a sua eventual aprovação). O Doutor Paulo de Pitta e Cunha afirma que assim se volta ao «método furtivo» para proceder a avanços na integração europeia, fugindo aos referendos e optando pelas aprovações «cómodas» nos Parlamentos.
N.B. Declaração de interesses: Reconheço que sou contra o aprofundamento da integração política da União Europeia. Considero a União Europeia incapaz de manter unidade política em situações de grave anormalidade política como a que se verificou com a invasão do Iraque. Não quero que as novas disposições constitucionais conduzam à rigidificação do sistema político, levando à implosão da União Europeia por falta de flexibilidade das instituições.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

A confusão dos números na RTP.

A RTP1 difundiu hoje (Telejornal das 20 h. de 14/08/07) uma reportagem sobre as pessoas mais ricas de Portugal com base numa classificação que a revista Exame dá à estampa anualmente. Mencionaram o nome dos três mais ricos: Belmiro de Azevedo, Américo Amorim, José Manuel de Mello e ainda outros "menos afortunados". No fim a reportagem resumia: "os 100 mais ricos detêm uma fortuna avaliada em cerca de 34 mil milhões de euros". E, de imediato, apresentavam um quadro que referia que esse valor correspondia a 20% do PIB português e, simultâneamente, uma voz feminina estabelecia a confusão “…a soma das fortunas dos 100 mais ricos corresponde a 20% da riqueza nacional”.
Que um telejornal de referência faça confusão entre PIB e património nacional, é uma vergonha. Ou será intencional e, com má fé, pretende-se aumentar artificialmente a revolta pelas desigualdades de fortuna e alimentar conversas de caserna ?

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Reportagem Incendiária

A RTP começou hoje (13 /08/2007) o Telejornal das 20 horas com uma reportagem alarmista sobre a queda dos mercados bolsistas. A queda tinha sido na sexta feira dia 10 de Agosto. (imagino que na sexta feira tenham sido apanhados desprevenidos e mantiveram-se no caso Maddie). Alguém decidiu então mandar fazer uma reportagem sobre o assunto. Veio a verificar-se que durante o dia 13, segunda feira, os mercados tiveram tendência a corrigir da queda bolsista de sexta feira mas, mesmo assim, abriram fogo com vocabulário incendiário sobre as “assustadoras” quedas bolsistas com descrições acerca do “pânico” dos investidores como se a reportagem tivesse actualidade. De seguida trucidaram o Banco Central Europeu (BCE) que, para resolver um problema de liquidez do sistema financeiro europeu, terá posto à disposição dos bancos mais de 40 mil milhões de euros. Na reportagem a RTP, de forma crítica, censurava o fornecimento de liquidez ao mercado que seria a responsável pelas previstas novas subidas de taxas de juro.
Parece que a reportagem, feita pelo amador de serviço, estaria pronta e na RTP não quiseram perder a oportunidade de mostrar que alguém tinha trabalhado no fim de semana. Mesmo que a realidade da correcção ocorrida nos mercados bolsistas no dia de hoje tivesse inutilizado o trabalho e que o BCE considere que os mercados estão normalizados com a ampla liquidez conferida ao mercado, o execrável serviço público não se comoveu.
Ao serviço de quem estarão a RTP e José Rodrigues dos Santos que suponho seja o editor daquele Telejornal ? Como é possível que a RTP, com o alcance que um canal de televisão público tem, possa ser tão irresponsável ? A arrogância e irresposbilidade dos jornalistas está ali bem documentada.
E como uma cereja em cima de um bolo, ainda nos pisca o olho como se fôssemos crianças e talvez seus cúmplices.
Miguel Rosa

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Curiosidades

a) Khodorkovski, o ex-magnata russo da Ioukos (grupo petrolífero que já era). Num livro publicado por Valery Paniouchkine, "O Prisioneiro do Silêncio - Ascensão e Queda de Mikhail Khodorkovski" o retratado dá ao jornalista, autor do livro, uma entrevista que diz algo significativo para se compreender melhor a evolução que a URSS sofreu até ao actual capitalismo da Rússia : ".....Khodorkovski reconhece que nos anos 90, a condução dos seus negócios era contrária à justiça e à moral. Mas não ilegal porque, na situação de vazio jurídico em que se vivia, a legalidade ou ilegalidade media-se pela aprovação do poder político. ......"
Fonte : Esther Mucznik, jornal Público de 2 de Agosto de 2007.

b) "Os chimpanzés são tão humanos quanto nós, só que de outra espécie." Título de um artigo com chamada de primera página numa edição recente do Público (há cerca de dois meses). A maior parte das pessoas vêem imediatamente o ridículo da afirmação mas, inesperadamente, há quem a ache razoável. A questão importante era perceber o porquê desse desvio de sensibilidade. Um gosto por ser original ? Por ser prá frentex ? Serão simplesmente pedantes ? Não acerto na resposta, certamente.
Mas o argumento de quem gosta da frase é : "... a frase diz-me algo porque de facto tudo é relativo. Todas as diferenças são apenas uma questão de grau". E desatam a dissertar sobre a percentagem de genes comuns entre os humanos e os chimpanZÉS. Falam como um livro aberto; muito cultos mesmo. E eu que pensava que não nos confundiam com os ZÉS da espécie Chimpan. Pensava eu cheio de pelo e um pouco achimpanzado que as palavras tinham mais significado. Claro que somos nós que convencionamos o sentido das palavras. Mas julgava que a espécie humana éramos apenas nós; nós os Zés de uso corrente, uns baptizados outros não. E que o diferente grau era a essência mesma da diferença.
E lembrei-me com isto do meu primeiro contacto com o pós-modernismo na linguagem, fez trinta anos já. Um colega de faculdade de então, em conversa amena começa a perorar sobre a inexistência do altruísmo. Para ele só havia egoísmo. A realidade "altruísmo" era apenas nossa construção que a nada correspondia. E muito satisfeito com a sua esperteza explicava: "aquilo a que chamam altruísmo é mero egoísmo de gente que tira para si mesma um prazer que resulta de pensar nos outros ou a actuar para o bem de outros". Uns sonsos, certamente. Só que à primeira objecção, borregou. Mas se é tudo egoísta como se explicam as diferentes consequências das duas atitudes ? Dos altruístas saem obras úteis para as pessoas. Dos egoístas, enquanto actuem ou pensem nessa qualidade, só resultam benefícios para si próprios (salvo engano ou coincidência). Poderei continuar a usar esse vocábulo ? Perguntei. Não obtive resposta clara.
O pós-modernismo é de facto castrador. E os seus cultores esgotam-se em masturbações intelectuais cansativas e improdutivas. No mundo clássico e ante-moderno a inteligência residia em saber fazer distinções, em perceber as diferenças que as sensibilidades mais finas podiam explicar. No mundo pós-moderno usa-se a inteligência para confundir todos, relativizando e igualizando tudo. Nem a analogia se salva face à "isologia"(neologismo meu); distinguir é obra menor. Só quem igualiza se distingue, parecem disso estar convencidos.
E eu só conheço as manifestações elementares e popularizadas do fenómeno. Parece que o movimento tem ramificações científicas (nas ciências sociais) que ainda não são do domínio do comum dos mortais. Que falta de paciência para ouvir os próceres mais conhecidos do movimento: Eduardo Prado Coelho e Boaventura Sousa Santos.

c) O António já começou a fazer concessões à demagogia e ao ZÉ (que não se vê a quem faça falta). Só o António não vê que vai ter que carregar com ele às costas. Ou talvez seja para o co-responsabilizar na gestão da CML por ser quem mais lhe pode disputar o eleitorado à esquerda. Os lisboetas seriam broncos para isso. O ZÉ já leva 14 denúncias, processos judiciais e providências cautelares e os tribunais já decidiram por 7 vezes, em nenhuma delas lhe dando razão; pelas outras 7, aguardemos. Se não alimentam o "puro", o "puro" denuncia. No seu afã de justiça social, que julga ser o único a prosseguir, o ZÉ já conseguiu do António, à custa dos promotores imobiliários, que as novas aprovações de projectos imobiliários pela CML satisfaçam um requisito: que 20% dos fogos desses projectos sejam vendidos ou arrendados a preços controlados. O acordo do ZÉ com o António, por enquanto, é ilegal. O Governo vai ter que legislar, o PDM vai ter que ser alterado. Mas o António tem amigos no Governo e vai consegui-lo. Por outro lado, o António ganha um seguro de viagem: a promessa do ZÉ não o torpedear com processos que o poderiam levar à condição de arguido. E como brinde o ZÉ leva um pelourinho : o do Ambiente, para poder meter o nariz em tudo e tudo emperrar. Boa sorte alfacinhas.

Choque Ideológico - o "puro"

Aqui há tempos, quando o novo presidente francês veio ao Ecofin defender a derrogação em relação à França do Pacto de Estabilidade e Crescimento para poder ter margem para baixar os impostos, ouvi no programa Choque Ideológico da RTP o "puro" Rui Tavares , que tinha como adversário o mais profundo e puro (sem aspas) mas menos agressivo Pedro Lomba, queixar-se amargamente da aceitação que a UE parece ter dado a essa ideia de âmbito fiscal e orçamental. Dizia o "puro" com tristeza e indignação : " a ele (Sarkozy) autorizam mas se fosse a Ségolène a propor uma folga orçamental para poder acudir aos mais desfavorecidos com novas políticas sociais, aí não autorizariam e diriam que a Senhora Ségo tem propostas irresponsáveis e nem sabe fazer contas." It is an injustice, it is. Snif, snif, diria o Calimero. O homem não enxerga que autorizam o Sarkozy porque a política de diminuição de impostos pode servir de alavanca para relançar a economia e permitir um equilíbrio mais rápido e saudável das finanças francesas (essa pelo menos, é a razão da aceitação pela UE da ideia do Sarkozy). Pelo contrário, as novas políticas sociais da Ségolène apenas trariam mais encargos para o Estado que, como se sabe, não há quem não queira emagrecer, incluindo grande parte da esquerda. Infelizmente o Pedro Lomba não reagiu à altura da choradeira do seu "puro" adversário.
O "puro" intitula-se historiador. Gostaria de saber que História conseguirá fazer com tanto fanatismo de avaliação. Não é apenas por este episódio que se lhe reconhece a histeria esquerdista. O pingue-pongue no jornal Público com a Helena Matos é bem prova disso. Há tempos, recusava-se a ler o estudo da CIP sobre a localização do Novo Aeroporto de Lisboa porque não se sabia quem o havia financiado. Foi dessa vez que o Vasco Pulido Valente, com razão, lhe deu o cognome de o "Puro". Não haverá mais ninguém para fazer um pingue-pongue de melhor nível com Helena Matos ? Ela merecia mais.

sábado, 28 de julho de 2007

O Aquecimento Global de "olhos fechados"

A crença no fenómeno conhecido por Aquecimento Global com Origem na Acção do Homem é da ordem das crenças religiosas.
Mostrei a um amigo dois documentários produzidos pelo Channel 4 que entre outras coisas defende que o actual aquecimento não se confirma nas médias alturas da atmosfera (o que contraria a teoria do aquecimento global), que o aquecimento não é induzido pela quantidade de CO2 existente na atmosfera (antes pelo contrário, é o aquecimento que conduz à acumulação de CO2 na atmosfera), que a acção do homem parece nada ter a ver com o actual aquecimento da atmosfera que é de meio grau centígrado, medido ao nível do solo e nas cidades. Os documentários têm cerca de duas horas de duração e têm imensa informação defendida por eminentes metereologistas e climatologistas (e um dissidente e fundador do Greenpeace) provenientes das mais prestigiadas universidades americanas, canadianas, inglesas e de outros países europeus, incluindo o M.I.T., Harvard e outras.
Esse meu amigo viu uma pequena parte de um dos documentários e não quis ver mais. A questão é que ele não precisa de ser convencido pois, embora tenha um espírito científico (diz de si próprio), sabe de ciência certa que o homem está a destruir o planeta, a produzir dióxido de carbono que lança sobre a atmosfera e que esse é um gás com efeito de estufa o que impede o calor dos raios solares de se escaparem para o exterior da atmosfera. Não há medições que o convençam do contrário. E candidamente explica : "...basta-me fechar os olhos, imaginar os milhares de milhão de indivíduos, os milhões de cidades, os milhões de aviões, a poluição produzida e comparar com a dimensão da Terra e a equação está feita, o mal diagnosticado e o culpado condenado. Ficaria atónito e desacreditado se com toda esta actividade não houvesse nenhuma consequência...". As palavras entre aspas, são dele. Não inventei para colorir. Na minha forma de ver é o que se chama um cientista de olhos fechados. E são aos milhares de milhão, meu Deus !!!! A religião acabou para tantos de nós mas o espírito religioso está lá, todinho.

P.S. Queria ter incluído o link do documentário que circula no You Tube com o título de The Great Global Warming Swindle mas não sei como se faz essa operação.

domingo, 22 de julho de 2007

A Boca Suja de Corrupção

O Saldanha Sanches, o Francisco Louçã, o "Zé" Sá Fernandes, o Miguel Sousa Tavares são gente que têm algo em comum. É mesmo : têm todos a boca suja de corrupção. Uns mais, outros menos; mas enumerei-os em ordem decrescente de sujidade (nem sei se estou certo. Até posso ter errado). Alguns são pagos para a horas certas exalarem na televisão o seu bafo venenoso contra a corrupção e os "negócios". Porque tem tanto sucesso mediático este discurso de caserna ? O discurso de caserna era a conversa de gente pouco preparada dos quartéis que era pasto de demagogia. É equivalente à expressão conversa de café mas mais pejorativa do que esta. Está na natureza deste discurso a falta de informação, a transformação de conjecturas em evidências indiscutíveis, as conclusões abusivas, tudo para aparentar conhecimento e tirar efeito sobre o interlocutor. As conversas passavam-se entre iguais e nada de mal vinha ao mundo, para lá da desinformação.

Mas agora a caserna chegou aos doutorados, aos professores catedráticos, aos escritores, aos advogados. O discurso é, pois, menos simplista. Nem podia ser de outra maneira. Só que a responsabilidade é muito maior. As audiências são nacionais e a má fé para tirar efeito é imperdoável. Aqui o efeito é, por vezes, a visibilidade política, outras vezes, a valorização profissional, e outras ainda, o efeito é imediato : a remuneração directa. Não vale a pena dar muitos exemplos mas... . Só um dos últimos: "o Saldanha Sanches declarou em televisão que havia no país um sem número de casos de corrupção que passavam impunes por cumplicidades entre o Ministério Público e os autarcas. O Ministério Público não gostou da ofensa generalizada ao seu bom nome e abriu um inquérito para saber quem eram os prevaricadores. Ouvido o oráculo, Saldanha Sanches declarou que os únicos casos que conhecia eram os que vinham por vezes mencionados na comunicação social." Foi obrigado a engolir em seco.

Não quero negar a existência de corrupção. Apenas queria tirá-la das primeiras páginas dos telejornais que diariamente nos assaltam como fogos em época bem sucedida deles. A corrupção é para a polícia investigar e não para oferecer circo com ela. O povão adora circo. E conversas de caserna confirmadas por professores universitários enche a malta de gozo e confirma as suas suspeitas. "Porque o povo não se deixa enganar, estão a ouvir?"


P.S. Desculpem não ter incluído a célebre Mizé Morgado na lista dos que carecem (perdoem a publicidade não paga) de Pepsodent. Ela, sem ser juiz, é a nossa Baltazar Garzón, uma vez que não temos juízes com o mesmo protagonismo daquele. Não incluí porque faz parte da sua profissão andar à caça de corruptos. É pena que salive cada vez que vai à televisão falar de corrupção. E o olhar pintado de preto dá um toque surrealista ao discurso salivar....
E a propósito : se a Mizé é a nossa Baltasar Garzón porque carga de água se gastam munições tão pesadas no processo "Apito Dourado" ? É essa a nossa grande corrupção ? Uff !!!! Estou mais descansado.

P.S.(linha) E o campeão Saldanha Sanches que desatou a disparar sobre os seus pares porque o chumbaram no concurso para professor catedrático !!! Parece que até um colega ou outro lhe tinha garantido o seu voto de aprovação mesmo antes da prestação de provas. "CORRUPÇÃO !!!" gritaria o próprio se o caso não fosse seu; favores comprados ou trocados, certamente. Cheirar-lhe-ia a esturro. Mas como era ele, o "corruptor activo", ainda exigiu o cumprimento da promessa de aprovação, ou melhor, pôs em dúvida que a promessa tivesse sido cumprida pelo "corrompido" (o sistema de aprovação no concurso é secreto e funciona em regime de bolas brancas e pretas). Descaramento !!!
Habituado a lavar a roupa suja em público, fez saber que os seus pares o tinham chumbado no concurso por medo da concorrência no competitivo mundo da emissão de pareceres de jurisconsultos. Descarado, sem vergonha !!
Enfim !!! Não sei se foi injustiça. Não tenho conhecimentos ou informação suficiente para avaliar. Mas se foi, há esperança de que tanta exposição raivosa tenha cobrado o seu preço. Não posso deixar de me sentir vingado. É feio querer o mal dos outros mas..., é a vida meu caro SS.

O respeito pelos políticos

Porque será que um jornalista, José Rodrigues dos Santos, em entrevista ao Dr. Marques Mendes o trata por "senhor" ? O "senhor" acha isso ? O "senhor" como explica aquilo ? O homem tem nome e é o líder da oposição. Ficava-lhe bem um pouco mais de respeito. Se a televisão, que tanto já fez para destroçar o prestígio dos políticos, não dá o exemplo, tratando-o por "Dr. Marques Mendes", como conseguiremos voltar a respeitar os políticos ? Dir-se-á que contribuir para o respeito dos políticos não é a missão das televisões. Errado. Esse é que é um verdadeiro serviço público (a cumprir por qualquer canal de televisão).
Mas pior ainda foi tentar impedir que se ouvisse a última resposta do Dr. Marques Mendes com interrupção pelo jornalista da sua última frase. De facto não interessava muito porque era uma repetição do que já havia dito. Mas a culpa foi do jornalista, que em estilo de cão que não larga o osso, insistia em explicações sobre o processo das directas. Mas fosse ou não repetição, por uma questão de respeito espera-se pelo fim da frase para dar por finda a entrevista. A continuar assim, o desprezo pelos políticos, a desconfiança em relação aos políticos irá em crescendo. Se em público não os respeitam e batem no ceguinho (porque na oposição são o bombo da festa), então, vamos mal.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

TURQUIA

A adesão da Turquia à União Europeia é um assunto que me deixou (ou deixa) hesitante e sem opinião definida durante anos. Tenho dificuldade em optar definitivamente por qualquer das duas alternativas em jogo. Creio que os argumentos são fortes nos dois sentidos.


No sentido de aceitar a adesão e por ordem de importância:


a) Argumentos políticos : seria um sinal para o mundo islâmico moderado de que existe um caminho diferente a seguir : concluir-se-ia que a democracia e o estado laico também servem o mundo muçulmano. Para eles (os moderados) a Turquia, em caso de adesão, seria um farol de liberdade. Os radicais do Islão perderiam força. A não adesão da Turquia poderia conduzir ao declínio da laicização e da tendência para a democratização do regime e favoreceria alianças com os regimes radicais do Médio Oriente e de todo o mundo muçulmano;

b) Argumentos geo-estratégicos : as fronteiras da União Europeia ficariam mais próximas das rotas dos gasodutos e dos oleodutos que constituem as fontes primordiais de energia de que a Europa é tão carecida. Por outro lado, a Turquia que já faz parte da Nato, tornaria mais firmes as alianças com o mundo ocidental e, sobretudo, com a União Europeia e seria a guarda avançada do ocidente naquela região do mundo;

c) Argumentos demográficos : a Turquia com cerca de setenta milhões de habitantes, com uma população muito jovem, traria sangue novo à União Europeia que tem uma população envelhecida;

d) Argumentos geográficos : a Turquia tem um pezinho no continente europeu;

e) Argumento histórico e cultural : Istambul foi a capital do Império Romano do Oriente e o território da Turquia fez em maior ou menor medida parte desse império. Existem aí muitos vestígios culturais da época romana e mesmo grega.


No sentido contrário à adesão e pela mesma ordem :


a) Argumentos políticos : nada a objectar à bondade dos sinais que seriam dados ao mundo islâmico moderado. Mas aceitar a Turquia no clube europeu seria criar expectativas de adesão a outros vizinhos do mundo islâmico: Marrocos, Tunísia, etc. . Será isso favorável à UE ? E a UE pretende ser uma mera associação de países para fins de divulgação e implantação da democracia ? Não parece;

b) Argumentos geo-estratégicos : o ponto de vista geo-estratégico é o grande argumento a favor da adesão;

c) Argumentos demográficos : justamente porque a Turquia tem cerca de setenta milhões de habitantes ela seria, a breve prazo, o país mais populoso da União Europeia, por força da evolução e tendências demográficas contrárias às dos actuais países da UE. Tornar-se-ia um dos países que mais facilmente poderiam impor minorias de bloqueio às decisões da União Europeia. E, por outro lado, o rejuvenescimento da população da UE far-se-ia com sangue de segunda classe (desculpem a crueza mas nem é pelo sangue...);

d) Argumento geográfico : de nada vale o argumento geográfico. Mais facilmente se integraria Israel na UE;

e) Argumento histórico e cultural : é o verdadeiro argumento contra a adesão. Eis o cerne da questão.


O que têm os turcos a ver com os europeus do ponto de vista histórico, religioso e cultural ? A história da Turquia, herdeira do Império Otomano, opõe-se à história europeu. Em nada converge com ela. Até inícios do século vinte a Turquia era um império temível para a europa dos balcãs e durante séculos manteve o império austro-húngaro em respeito, tendo o conflito entre os dois impérios chegado às portas de Viena. E da parte do império otomano não era simples ambição territorial. Era uma veleidade de expansão religiosa que apenas parou porque o império austro-húngaro lhe fez frente. Essa ameaça durou até ao século XIX.

Os europeus não vêm nas religiões motivo de discórdia porque cada vez são menos religiosos. Mas essa não é a atitude dos turcos. O proselitismo muçulmano e o radicalismo religioso fanático é ainda muito forte do lado da Turquia, apesar dos sectores laicizantes e modernos de uma parte do país. Daí que a falta de ânimo para o combate religioso da parte dos europeus não facilite a pretensão turca. Apenas desarma os europeus face ao radicalismo religioso cuja crueza ignoram.

E é a própria religião que conduziu ao afastamento cultural entre a Europa cristã e a Turquia. Apesar de ocupar a região mais helenizada da Ásia e de ter herdado parte do espólio cultural greco-romano, a Turquia apenas possui vestígios dessa presença cultural. O apelo do islão foi ao longo dos últimos séculos mais sedutor do que o humanismo e os avanços culturais dos impérios clássicos. Pode-se admitir que até ao século XIV a influência clássica sobre o islão tenha sido importante. Mas o Islão entrou em decadência desde essa época áurea até à presente data. Vive uma Idade de Trevas. Não temos muito em comum, nós europeus, com os turcos.


O que se pretenda com a construção europeia.


Penso que o balanço entre vantagens e desvantagens da adesão da Turquia à União Europeia é francamente contrária à pretensão daquele país muçulmano. Porém, o voluntarismo das elites da construção europeia fácilmente trucidaria a força dos argumentos contrários a essa adesão. Os europeus têm-se tornado pouco realistas com as facilidades das últimas décadas: o crescimento económico que se tem feito sentir desde o fim da Segunda Guerra Mundial; e o guarda-chuva americano que nos protege sem cessar e sem necessidade de esforço em investimento na nossa própria defesa. Mas o progresso económico que dava para todas as aventuras parece estar esgotado. E depender do guarda-chuva americano não tem sido mau de todo mas tira-nos, decerto, alguma influência política mundial.

Todavia, na cegueira da falta de realismo político, chegou-se a ouvir (Álvaro de Vasconcelos, Presidente do Instituto de Estudos Estratégicos Internacionais), em argumento favorável à adesão da Turquia e, posteriormente, de outros estados do Norte de África e do Médio Oriente, que a União Europeia era uma espécie de EMBRIÃO DE UM GOVERNO MUNDIAL (grandioso e patético, né ?) onde todos cabem desde que cumpram as regras da democracia e dos direitos humanos. Claro que, se é isto que queremos para a UE, então parece razoável deixar entrar a Turquia. Dizem que o autor da ideia é mero fantoche americano e que os EUA querem uma Europa que não se mova até estrebuchar de inanição. Não creio que os americanos queiram eliminar um concorrente e perder um aliado. Mas sabe-se lá.... Talvez não acreditem na possibilidade de a União Europeia ser politicamente forte. Cabe-nos aos europeus mostrar-lhes que estão enganados. Se é que o queremos.


Entre o achado do Embrião de Governo Mundial e a recusa de adesão da Turquia à UE há, porém, outros figurinos.

Poder-se-ia imaginar um quadro em que o alargamento da zona de influência europeia se ficasse apenas por este país.
E, no entanto, seria a UE, só com esse acrescento, compatível com o que pretendemos para a Europa ? Os europeístas convictos e adeptos de um estado federal forte querem que a Europa se prepare para ser uma força política e militar credível (económica ainda é) com quem os seus aliados possam contar e que tenha uma voz respeitada no mundo. Será isso irrealismo, também ? Admitamos que não é irrealismo e que esse é o objectivo dos europeístas de gema...... (continua)



quinta-feira, 5 de julho de 2007

A mama deve ser gorda

Porque será que certas pessoas podem fazer as maiores burradas públicas e ninguém as sova ? Penso que a receita passa por ter uma ligação à cultura, ou à esquerda (PS incluído na esquerda). Mas se se tiver as duas qualidades, ie, ser-se de esquerda e, simultâneamente, de alguma forma ter ligação à cultura, então a impunidade é total. Mais ainda se acumular a qualidade de maçon. Mas a menção à seita isotérica é apenas um à parte.
O Mega Ferreira, por exemplo, é um excelente exemplar daquela tese. Ligado ao PS e com um percurso de jornalista/ensaísta, chegou ao cargo que ocupa no Centro Cultural de Belém (CCB) sem surpresa para ninguém. Imprevistamente, porém, o homem chocou com o ego do Berardo e não deu conta dos estragos que isso lhe provocou. Foi contratado para gerir aquela casa mas a meio do mandato, tiraram-lhe uma fatia do bolo. Claro que não gostou. Quem gostaria ? Parece que discordou (disse ele) da instalação do Museu da Colecção Berardo no CCB. Mas para evitar inconvenientes para os seus amigos do Governo que o haviam nomeado, não levantou ondas. Aceitou, até, ser presidente da comissão instaladora do museu por convite do Berardo. O Berardo é um grosso; toda a gente vê. E, vai daí, na véspera da inauguração o Mega resolveu evidenciar o seu desagrado pela ideia. Recusou hastear bandeirinhas alusivas ao museu Berardo no CCB.

Não sei se a ideia do Berardo nos vender o que coleccionou é ou não boa ou se o Estado faz ou não um bom negócio com o Berardo. O Mega pelo menos acha que a instalação do Museu ali foi uma péssima ideia. Já o disse e talvez tenha razão. Mas agora que já fez o favor de não levantar ondas aos seus amigos, silenciando o seu desagrado e permitindo que fosse àvante a ideia de que discordava, parece que seria altura de bater com a porta.

Em situação normal já lhe teriam posto os patins porque não se pode recusar as bandeirinhas ao Berardo, criando meio sururu no dia da inauguração. É que o Berardo, impante de grana e grosso como é, imediatamente lhe mostrou quem manda. Não foi edificante e pensei que o Mega, só com meio CCB para administrar e já livre para tomar as atitudes que entendesse, pois já não sobrava dúvida sobre a sua oposição à instalação do Museu, acabaria por pedir a demissão. Mas a mama deve ser suficientemente gorda para poder engolir o sapo.
P.S. Declaração de interesses : "nada tenho contra mamas gordas".
Já depois de publicar o quadradinho de banda desenhada, lembrei-me que aquela dúvida não existiria se o quadradinho trouxesse a seguinte legenda "As mulheres amadurecem mais cedo". Por isso quando os homens amadurecem, na meia idade, acabam por tirar uma passageira vantagem.

quinta-feira, 28 de junho de 2007



Eu não pretendia abandalhar. Mas gostaria de partilhar uma dúvida : será por esta razão que as mulheres nos levam sempre vantagem na adolescência, na juventude, na maioridade e na velhice ? Têm melhores notas no secundário, tiram-nos o lugar nos bancos das universidades, guardam para si os melhores e mais calmos postos de trabalho e por fim morrem mais tarde. Nem se dão conta mas prejudicam, assim, o défice da Segurança Social. Só na meia idade tiramos alguma vantagem...

terça-feira, 26 de junho de 2007

26 de Junho 2007, Terça feira

Algumas curiosidades

Antes de criar este blogue sobre as minhas memórias públicas habituei-me a registar no telemóvel algumas curiosidades que ia lendo e ouvindo. Mas essa memória é volátil por falta de espaço e perdi muitas informações fiáveis que contrariam algumas opiniões maioritárias e outras curiosidades pitorescas e frases lapidares da actualidade e de outras épocas. Umas mais interessantes que outras.
Eis as que sobraram:
1 - O Ministro da Cultura francês avisou as direcções de diversos Teatros de Ópera de várias regiões de França que planeavam exibir a obra de Bizet, Carmen, que não estavam autorizados a transmitir nesses espectáculos qualquer cenário com fumo, cigarros e cigarreiras.
Existia nesta ópera uma personagem, Carmen, que era uma vendedora ambulante de cigarros. O puritanismo políticamente correcto deve ter posto a senhora a vender queijadinhas.
(informação colhida no Público em Março ou Abril de 2007)
2 - Em 1948 (data da criação do Estado de Israel) viviam nos países árabes mais de 800.000 judeus. Agora não chegam a 8 mil. Israel absorveu-os. Foram inicialmente refugiados mas foram sendo integrados. Os refugiados palestinianos vão crescendo desde aquela data e nunca são absorvidos, proliferam. A comunidade internacional alimenta-os com subsídios.
(informação colhida no Público - Esther Mucznick)
Nota minha: Ninguém quer sair da mama e a mama vai crescendo e está descaída. Ensinem-nos a pescar não lhes dêem peixe nem mama.
3 - «... Exalta-se as vítimas como forma de nos redimirmos da nossa má consciência que resulta dos nossos sentimentos de culpa. Vítimas são os pobres, os escravisados, os colonizados, os oprimidos. E deles, militantemente, nos compadecemos. ... »
(frase de Esther Mucznick-Público)
4 - «... Detecto, com repugnância, o eco histérico dos profissionais da indignação, a quem os jornais e as televisões pagam para rugir ritualmente, a horas marcadas, contra a "corrupção" e as "poucas vergonhas. ..."»
(frase de Rui Ramos-Atlântico)
5 - «Os lugares mais sombrios do inferno estão reservados para aqueles que mantêm a neutralidade em tempos de crise moral.»
(frase de Dante Alighieri-Especialista em Infernos)

segunda-feira, 25 de junho de 2007

25 de Junho de 2007, Segunda feira

A histeria anti-tabágica.

Gostamos tanto de ser responsáveis. Que bem que ficamos nessa fotografia. E quem se atreve a criticar-nos essa pose ? Será por tudo isto que é tão fácil ter bons sentimentos e boa consciência ? Passamos por boas pessoas com belas almas e, ainda por cima, a resistência às nossas ideias raramente nos afronta, quer porque nos sentimos acompanhados por milhões que nos acompanham na beleza do espírito (confirmando pelo número o acerto das mesmas) quer porque ninguém sente necessidade de ouvir mencionar a feiura de ideias realistas. Realista e feio não colhe.
São assim os defensores das proibições tabagistas.
A questão dos custos de saúde enche as suas lindas bocas que cândidamente proferem: «os impostos pagos pelos fumadores não chegam nem pouco mais ou menos para cobrir os custos com as doenças causadas pelo consumo do tabaco».
E se alguém põe isso em dúvida, quase o esfolam vivo: «quem põe em dúvida esse pressuposto das políticas anti-tabágicas é porque não conhece o custo astronómico desses tratamentos. Anda neste mundo por ver andsar os outros» e «vê-se que nunca teve ninguém na família com esse problema» e «se ao menos fossem responsáveis e sensíveis e próximos da tragédia como "nós", decerto andariam informados».
O "nós" é aquela multidão. Contra a multidão, os "irresponsáveis" ficam receosos: «porque estarão todos contra mim ? Que fiz eu de mal ? Não devia ter falado. Afinal não tenho informação suficiente para defender essa posição» e «ainda por cima tenho sorte. Devo ser caso único, dizem».
É mais um que se irá calar e passar para o lado do "nós", quanto mais não seja para não se denunciar na infame sorte de ser o único saudável.
Este que vos escreve já passou pela farsa descrita. E surpreendemente hoje a RTP1 abriu o Telejornal das oito da noite com um estudo sobre os custos das doenças provocadas pelo consumo do tabaco. Creio que ninguém instruiu os estudiosos para apresentarem números inflaccionados. Não são verdadeiros cientistas. Esses sempre sabem quais os números a que devem chegar para manter os "nós" correctamente instruídos e de espírito aceso e firme em prol das belas causas.
Parece que se gasta anualmente qualquer coisa como 100 e tal milhões de euros em internamentos e remédios e 300 e poucos milhões em tratamento ambulatório e mais remédios com as doenças respiratórias e as outras provocadas pelo consumo do tabaco que afectam os doentes fumadores e ex-fumadores. Os custos das doenças dos fumadores passivos não estão incluídos no estudo. (Cautela com estes números porque o Jornal da meia noite da SIC Notícias tinha outros: 144 milhões euros apenas, repartidos em 64 milhões para internamentos e remédios e 80 milhões para ambulatório e remédios, também excluindo os custos com as doenças dos fumadores passivos).
Aqui renasce o cepticismo do "irresponsável arrependido" «Agora vou poder lidar com números». Procurou uma fonte credível que lhe desse informação sobre a receita anual dos impostos sobre o tabaco em Portugal e chegou a números interessantes: a receita total foi em 2005 cerca de 1.300 milhões de euros (número a confirmar). «Se este número se confirma como vou poder calar a minha alegria : afinal os fumadores pagam as suas doenças». «Já não são um peso para sociedad. Talvez se possa duvidar da necessidade de perseguir o fumador e se possa pôr fim às leis proibitivas. Talvez...».
E, para a eventualidade de um contra-ataque puritano, o nosso "irresponsável" ainda reservou no bolso um cartucho, para atirar à cara dos "nós". Mas não resisto em denunciá-lo: a maior parte dos fumadores faz descontos para Segurança Social toda uma vida e por causa do seu vício morre cedo, muitas vezes sem chegar à idade da reforma ou pouco depois de lá ter chegado. «Merecem uma estátua estes fumadores» pensou o irresponsável. Afinal são responsáveis por que não seja tão grave o défice da Segurança Social . E "nós" sabemos disso mas mesmo assim não os deixamos em paz.
Sociedade puritana, esta. E que presume ser liberal. Porque também é belo o ideal liberal.
É de facto um pouco repugnante. As almas belas querem ser tudo quanto lhes pareça "correcto". Mesmo que entrem em contradição.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Sexta feira, 22 de Junho de 2007

O TÚNEL.
Meu Deus !! Ontem passei às 19,30 h no TÚNEL do Marquês. Nunca lá tinha passado em hora de ponta. E fiquei impressionado. Muito bem impressionado. Entrei na Fontes Pereira de Melo e saí depois das Amoreiras. Um minuto ? Dois minutos ?? Nem sei. Um pequeno acidente no viaduto Duarte Pacheco provocou um ligeiro abrandamento já fora do TÚNEL.
Mas gostei de ouvir aqui há dias o Dom ZÉ lo Sá Fernandes defendendo-se da sua intervenção em acção popular que conduziu ao embargo da obra. É uma pérola. Diz Dom ZÉ : "este não é o túnel que eu embarguei" e "além disso, ele ainda nem está concluído porque tem problemas de execução por proximidade com o túnel do metro", dizia ele como justificação do mérito da sua acção. Não sabia que a proximidade dos túneis do Marquês e do Metro tinha sido fundamento para o embargo. Mas enfim..., estamos sempre a ser surpreendidos. E é este gajo que os lisboetas se propõe reeleger com aumento de votação. É que os portugueses gostam imenso de políticos que satisfaçam e justifiquem a razão do seu ódio aos políticos, passando à prática as conversas de caserna que têm à mesa de café, queixando-se da corrupção, da incompetência, da desorganização, do clima, do ambiente... . Para melhor ilustração do que digo, veja-se a conversa de messenger que se segue.
E UMA CONVERSA DE MESSENGER QUE COMEÇOU SOBRE O TÚNEL

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: tás aí?

guillermo diz: sim

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: abri um blog há dois dias

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: estou escrevendo a minha segunda mensagem

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: mas não sei como podes aceder

guillermo diz: sim, e quem o vai ler?

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: para já é a minha memória

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: mas os meus amigos podem ler e comentar se quiserem

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: tem o seguinte título : "Conservador e Céptico"

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: penso que se consegue entrar procurando em Blogger e presumo que haverá um campo em que se escreva o título do blog

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: ou Blogger Conservador e Céptico logo de início no google

guillermo diz: essas memorias podem ter interesse para quem não te conheça

guillermo diz: se eu escrevesse alguma coisa sobre mim, ias ler?

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: ninguém é obrigado a ler meu caro

guillermo diz: não respondeste

guillermo diz: ou sim?

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: sabes que depende daquilo sobre que escreveres

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: eu hoje escolhi um assunto

guillermo diz: não, eu não tenho blog

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: O Túnel do Marquês. Passei lá ontem pela primeira vez à hora de ponta e entre a Fontes Pereira de Melo e o viaduto Duarte Pacheco levei um minuto

guillermo diz: é foi uma obra muito boa para levar mais carros para dentro da cidade em pouco tempo

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: é o comentário típico de um derrotista

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: nada te satisfaz?

guillermo diz: Eu também entrei pelo túnel na Terça Feira para ir dar baixa à matrícula da moto que me roubaram ha 4 anos e da qual agora me querem cobrar o imposto de selo,

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: cobrar o imposto de selo?

guillermo diz: Cheguei ao Campo Pequeno ás 11.oohs e ate arranjar un lugar onde deixar o carro estive parado en segunda fila 15 min

guillermo diz: Não, o selo do imv

guillermo diz: então fui tirar a senha, tinha 93 pessoas a frente

guillermo diz: quando cheguei ao pé do carro tinha sido multado pelos putos da EMEL, 30 Euros

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: mas o Campo Pequeno tem um belíssimo estacionamento. Só se ainda não abriu

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: então querias estacionar sem pagar

guillermo diz: Depois fui ao Martim Moniz e voltei as tres da tarde e a minha senha tinha passado, mas para chegar perto tive que atravessar a Av que esta farpada com risco de morte.

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: mas o pagamento do estacionamento é uma forma de desincentivar as pessoas a trazerem o carro para Lisboa

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: pensei que era essa a tua política

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: e se calhar querias portagens à porta de Lx

guillermo diz: Afinal não fiz nada, mas sai da cidade depois, ao chegar ao túnel, em 2 min. Foi muito bom!!!

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: não te entendo, rapaz

guillermo diz: NÂO HAVIA ESTACIONAMENTO NUM RAIO DE KILÓMETROS !!! NEM A PAGAR NEM DE BORLA, FIQUEI EM SEGUNDA FILA

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: se há coisa que temos sorte é poder ir a Lisboa fora das horas de ponta

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: penso que tenhas ido a Direcção Geral de Viação

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: por acaso tive que ir lá levantar a minha carta e não tive qq problema quer de estacionamento quer do serviço. Claro que esperei uma hora ou mais para ser atendido. Mas aproveitei e fui comprar o jornal e comer qq coisa

guillermo diz: SIM, O QUE EU DIGO É QUE ANTES DE FAZER O TÚNEL, QUE ACHO MUITO BEM, DEVIAM TER PENSADO CENTRALIZAR TODOS OS SERVIÇOS DO ESTADO EM ALGUM LUGAR DECENTE, PENSAR ONDE IAM POR OS CARROS E COMO IA A SER A CIRCULAÇÃO, ETC ETC. AQUILO FOI OBRA DE DEMAGOGO!!!

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: mas tu és um pouco confuso

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: primeiro dizes que o túnel está muito bem (espero que não seja o estilo arquitectónico) e depois dizes que é obra de demagogo

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: decide-te

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: no meu artigo gozo com o teu amigo Dom ZÉ lo Sá Fernandes

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: o rapaz agora vem dizer que não foi este o túnel que ele embargou

guillermo diz: uMA TRISTEZA, DE CADA VEZ QUE VOU A LISBOA VENHO TRISTE E DESILUDIDO, TANTOS ANOS PERDIDOS, TANTO DESPERDICIO, TANTA INCOMPETENCIA, TANTA OBRA OBRA SEM NEXO, SEM ARTICULAÇAO, DESENCAIXADA DE QUALQUER IDEIA GERAL DE COMO QUEREM QUE A CIDADE SEJA. LISBOA DÁ PENA, É SÓ BURACOS, CONFISSÃO, CASAS A CAIR POR ACABAR A COMER O ORÇAMENTO DA CAMARA, EMFIM, ENGARRAFAMENTOS, CARROS EN CIMA DOS PASSEIOS, MAS TEMOS O TÚNEL!!!

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: O ZÉ faz tanta falta como uma viola num enterro

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: mas infelizmente os lisboetas ainda lhe vão aumentar a votação

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: dizem

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: vergonha

guillermo diz: (Perdi O comentário)

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: meu Deus !! como estás descrente e amargurado

guillermo diz: SABES SE EU POR TER AS CASAS NO cARMO POSSO VOTAR?

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: essa é uma das facetas mais embirrantes dos portugueses e tu aprendeste a assumi-la com genuinidade

guillermo diz: No outro dia pensei numa fórmula para melhorar a democracia, deviamos votar em duas pessoas. Uma, a que se quer para o lugar e, outra, na que não se quer de todo, e depois fazer um prorrateio

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: os meus parabéns. És um português de primeira

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: é o fado. O eterno desgosto de ser português

guillermo diz: Embirrantes para ti, que não queres que ninguem te estrague a visão complacente que tens de tudo

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: só te falta a saudade da terrinha

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: claro que a tens mas não é desta

guillermo diz: tenho o que?

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: saudade

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: da terrinha

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: uma choradeira nacional, é o que é

guillermo diz: Não tenho saudades da terrinha, não. Tenho pena das pessoas

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: prefiro uma visão complacente a uma pose de estadista de quem se estivesse lá tudo faria bem e diferente

guillermo diz: inclindo-me a mim primeiro

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: a corrupção, os erros, os estúpidos que só fazem asneiras

guillermo diz: Ninguém pode fazer nada porque somos todos nos

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: tudo isso começa justamente a seguir à tua mesinha de café

guillermo diz: o ser humano é desprezivel, e por isso está em vias de extinção

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: normalmente só os que fazem parte da conversa é que são competentes, preocupados, honestos.....e sei lá que outras qualidades

guillermo diz: bom mudando de assunto amanhã vamos à Zambujeira. Vais estar por Odeceixe?

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: é essa atitude que eu chamo de embirrante mas é uma forma eufemística e dócil de falar

guillermo diz: Olha que quem abriu o blog foste tu!!!

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: e o que tem isso a ver?

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: como sabes sou complacente

guillermo diz: e quem começou a conversa do túnel, para mostrar a posição foste tu

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: não abri um blog para alinhar na choradeira nacional. Disso podes estar descansado

guillermo diz: Tu é que estás mais interessado em fazer conversa de política a toda hora

guillermo diz: Precisas talvez disso para afirmar a tua diferença

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: como sabes ter opinião não é um pecado. Pecado é viver sempre insatisfeito como quem tem uma atitude na vida

guillermo diz: Mas o optimismo irresponsável também não é solução para mim

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: claro

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: é essa a grande motivação da choradeira

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: querer parecer responsável

guillermo diz: eu não ando só na choradeira, também faço coisas e contribuo

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: é um concurso nacional com o seguinte lema : " quem conseguir dizer pior e for mais pessimista é o mais inteligente"

guillermo diz: mas fazer pouco dos que se queixam quando se tem uma vida abastada também não parece muito bem

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: faltava atirar-me à cara que não faço nada

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: aí de facto ganhas

guillermo diz: eu cá deste lado estou a rir, e tu?

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: mas tb de facto não era isso que discutíamos

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: parece golpe baixo

guillermo diz: tudo tem a ver

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: não te fica bem

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: eu choro

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: mas choro quando as coisas merecem choro

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: não faço disso atitude

guillermo diz: o merecer é muito subjetivo miguel, isso a ti te custa entender

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: claro que custa.

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: é de facto subjectivo

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: mas deixa de ser subjectivo quando passa a atitude

guillermo diz: não deixa não, desculpa

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: parece que o choro é que importa. O choro sistemático tira sentido à subjectividade

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: se todos se queixam de tudo, onde fica espaço para essa tal subjectividade ?

guillermo diz: não vejo aassim, tu deves pensar que nós estamos sempre a chorar porque puxas sempre a conversa nesse sentido

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: meu Deus

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: eu falei no túnel como uma coisa boa, ie, sem choro

guillermo diz: provocas esses comentarios porque te colocas sempre na posição do irreverente

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: mas logo as tuas lágrimas inundaram o texto

guillermo diz: as minhas lágrimas são para te tirar a areia dos olhos

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: se tiveres oportunidade de ir lá atrás aprecia a tua crítica ao mundo , à cidade e por fim, quando há pouco disseste que o homem se encaminha para o seu fim autodestruindo-se, foi o clímax do tema. É um pouco patético

guillermo diz: caíste na conversa da obra útil e emblemática, quando isso é supérfluo

guillermo diz: Não é patético, talvez tu não consigas ainda decifrar os sinais do tempo

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: claro que tudo é inútil quando o que se pretende é uma sociedade perfeita, inatingível e que pedir algo próximo da perfeição num determinado estado de desenvolvimento e com alguns erros à mistura (reconheço) não é realista e, portanto, é totalmente irrealizável

guillermo diz: mas é verdade, ou achas tu que Lisboa é a melhor cidade do mundo, que não ha melhores, outras onde se viva melhor?

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: claro que há

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: mas o nível de riqueza do país( e alguns erros cometidos tb não ajudaram) não permite muito mais

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: mas não ver os lados positivos quando os há, é que faz parte do quadro com que eu embirro

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: os sinais dos tempos a que te referes irão passar de moda, meu caro

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: há coisas definitivas e outras passageiras e falemos apenas em tese

guillermo diz: Espero sinceramente que sim, sobretudo agora que amo o Francisco

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: isso certamente dá força

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: é uma realização de que te deves orgulhar

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: vou ver o Expresso da Meia Noite
guillermo diz: Não respondeste se vais andar por Odeceixe
miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: boas férias. Quantos dias vais lá estar ?
guillermo diz: só 4

miguel.rosa.estoril@clix.pt diz: se for a Odeceixe será no princípio de Agosto

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Quarta feira, 20 de Junho de 2007


Meu Deus ! Apesar de conservador aqui me lanço. Dei em Blogueiro e o meu padrinho foi JPP. Acedi ao Blogger, usando um link do Abrupto. Parece-me uma boa ferramenta para uma pessoa desocupada. Veremos.


Sei que vou ter uma pequena dificuldade : não sei se vou conseguir entrar nesta página de novo. Ou melhor : se tão cedo e sem ajuda me vou encontrar.


Li o artigo do Bell e (?)... sobre os problemas do registo informático das memórias de cada um (seu estado actual e futuro), sugerido hoje pelo JPP no seu Blog e, como sempre me tenho preocupado com o registo das minhas memórias para poder conversar sobre elas (que é para isso que servem as memórias), resolvi criar este Conservador e Céptico. A minha ferramenta tem sido o telemóvel mas a memória é pequenina e perde-se muito tempo a dactilografar (ou a dêdar).
"Tou" crescendo, viram ? Até namorada eu arrumei por internet...


Céptico como eu só, lembro-me de não acreditar que a internet pudesse transformar os indivíduos para melhor; tornar as massas cultas. De certo poderia acelerar o mundo dos negócios, da ciência e de outros fins práticos. Mas isso não ajuda o indivíduo a transcender-se. É que a memória dos homens é curta e a quantidade de informação proporcionada por este meio é gigantesca, excessiva mesmo. Saber separar o trigo do joio, continua a ser a pedra de toque da cultura. Poderemos, até, ser muito "lidos". Mas ler, buscar informação técnica ou noticiosa não nos fará homens cultos. Sem critério, tanta informação conduz-nos à arrogância de pretender tudo saber.


Como obter critério, então, se é pelo critério que nos formamos e acedemos à sabedoria ? E sabemos que mais informação não significa necessariamente mais cultura. A sabedoria é também filha do bom senso, essa virtude em desgraça. O bom senso é coisa muito desvalorizada em época de crise moral em que uma opinião pode ser defendida pela mesma pessoa que, com aparente (ou real ?) convicção defende de seguida a opinião contrária. Não porque tenha mudado de opinião mas porque é divertido exercitar a verborreia. É uma espécie de masturbação intelectual. Ou simples desonestidade intelectual. O mundo está pós-moderno: a coerência não é mais um valor e a desonestidade intelectual adora esse estado de coisas. Mas creio que todos já alguma vez ouvimos esta frase célebre que reabilita o senso comum (outra forma de designar bom senso) : "o senso comum é menos comum do que se pensa". Já soube quem foi o autor mas foi-se-me da memória...

Enfim. muita conversa mas pouco resultado. Continuamos sem saber como obter o tal bom senso. Tanto mais que ele às vezes falha ao mais pintado. Foge-nos, coitado. Não creio que alguém saiba onde encontrá-lo. Ainda não se vende. É estranho falar sobre uma coisa que ignoramos o que seja em teoria. Mas às vezes reencontramo-nos com ele.