sábado, 28 de julho de 2007

O Aquecimento Global de "olhos fechados"

A crença no fenómeno conhecido por Aquecimento Global com Origem na Acção do Homem é da ordem das crenças religiosas.
Mostrei a um amigo dois documentários produzidos pelo Channel 4 que entre outras coisas defende que o actual aquecimento não se confirma nas médias alturas da atmosfera (o que contraria a teoria do aquecimento global), que o aquecimento não é induzido pela quantidade de CO2 existente na atmosfera (antes pelo contrário, é o aquecimento que conduz à acumulação de CO2 na atmosfera), que a acção do homem parece nada ter a ver com o actual aquecimento da atmosfera que é de meio grau centígrado, medido ao nível do solo e nas cidades. Os documentários têm cerca de duas horas de duração e têm imensa informação defendida por eminentes metereologistas e climatologistas (e um dissidente e fundador do Greenpeace) provenientes das mais prestigiadas universidades americanas, canadianas, inglesas e de outros países europeus, incluindo o M.I.T., Harvard e outras.
Esse meu amigo viu uma pequena parte de um dos documentários e não quis ver mais. A questão é que ele não precisa de ser convencido pois, embora tenha um espírito científico (diz de si próprio), sabe de ciência certa que o homem está a destruir o planeta, a produzir dióxido de carbono que lança sobre a atmosfera e que esse é um gás com efeito de estufa o que impede o calor dos raios solares de se escaparem para o exterior da atmosfera. Não há medições que o convençam do contrário. E candidamente explica : "...basta-me fechar os olhos, imaginar os milhares de milhão de indivíduos, os milhões de cidades, os milhões de aviões, a poluição produzida e comparar com a dimensão da Terra e a equação está feita, o mal diagnosticado e o culpado condenado. Ficaria atónito e desacreditado se com toda esta actividade não houvesse nenhuma consequência...". As palavras entre aspas, são dele. Não inventei para colorir. Na minha forma de ver é o que se chama um cientista de olhos fechados. E são aos milhares de milhão, meu Deus !!!! A religião acabou para tantos de nós mas o espírito religioso está lá, todinho.

P.S. Queria ter incluído o link do documentário que circula no You Tube com o título de The Great Global Warming Swindle mas não sei como se faz essa operação.

domingo, 22 de julho de 2007

A Boca Suja de Corrupção

O Saldanha Sanches, o Francisco Louçã, o "Zé" Sá Fernandes, o Miguel Sousa Tavares são gente que têm algo em comum. É mesmo : têm todos a boca suja de corrupção. Uns mais, outros menos; mas enumerei-os em ordem decrescente de sujidade (nem sei se estou certo. Até posso ter errado). Alguns são pagos para a horas certas exalarem na televisão o seu bafo venenoso contra a corrupção e os "negócios". Porque tem tanto sucesso mediático este discurso de caserna ? O discurso de caserna era a conversa de gente pouco preparada dos quartéis que era pasto de demagogia. É equivalente à expressão conversa de café mas mais pejorativa do que esta. Está na natureza deste discurso a falta de informação, a transformação de conjecturas em evidências indiscutíveis, as conclusões abusivas, tudo para aparentar conhecimento e tirar efeito sobre o interlocutor. As conversas passavam-se entre iguais e nada de mal vinha ao mundo, para lá da desinformação.

Mas agora a caserna chegou aos doutorados, aos professores catedráticos, aos escritores, aos advogados. O discurso é, pois, menos simplista. Nem podia ser de outra maneira. Só que a responsabilidade é muito maior. As audiências são nacionais e a má fé para tirar efeito é imperdoável. Aqui o efeito é, por vezes, a visibilidade política, outras vezes, a valorização profissional, e outras ainda, o efeito é imediato : a remuneração directa. Não vale a pena dar muitos exemplos mas... . Só um dos últimos: "o Saldanha Sanches declarou em televisão que havia no país um sem número de casos de corrupção que passavam impunes por cumplicidades entre o Ministério Público e os autarcas. O Ministério Público não gostou da ofensa generalizada ao seu bom nome e abriu um inquérito para saber quem eram os prevaricadores. Ouvido o oráculo, Saldanha Sanches declarou que os únicos casos que conhecia eram os que vinham por vezes mencionados na comunicação social." Foi obrigado a engolir em seco.

Não quero negar a existência de corrupção. Apenas queria tirá-la das primeiras páginas dos telejornais que diariamente nos assaltam como fogos em época bem sucedida deles. A corrupção é para a polícia investigar e não para oferecer circo com ela. O povão adora circo. E conversas de caserna confirmadas por professores universitários enche a malta de gozo e confirma as suas suspeitas. "Porque o povo não se deixa enganar, estão a ouvir?"


P.S. Desculpem não ter incluído a célebre Mizé Morgado na lista dos que carecem (perdoem a publicidade não paga) de Pepsodent. Ela, sem ser juiz, é a nossa Baltazar Garzón, uma vez que não temos juízes com o mesmo protagonismo daquele. Não incluí porque faz parte da sua profissão andar à caça de corruptos. É pena que salive cada vez que vai à televisão falar de corrupção. E o olhar pintado de preto dá um toque surrealista ao discurso salivar....
E a propósito : se a Mizé é a nossa Baltasar Garzón porque carga de água se gastam munições tão pesadas no processo "Apito Dourado" ? É essa a nossa grande corrupção ? Uff !!!! Estou mais descansado.

P.S.(linha) E o campeão Saldanha Sanches que desatou a disparar sobre os seus pares porque o chumbaram no concurso para professor catedrático !!! Parece que até um colega ou outro lhe tinha garantido o seu voto de aprovação mesmo antes da prestação de provas. "CORRUPÇÃO !!!" gritaria o próprio se o caso não fosse seu; favores comprados ou trocados, certamente. Cheirar-lhe-ia a esturro. Mas como era ele, o "corruptor activo", ainda exigiu o cumprimento da promessa de aprovação, ou melhor, pôs em dúvida que a promessa tivesse sido cumprida pelo "corrompido" (o sistema de aprovação no concurso é secreto e funciona em regime de bolas brancas e pretas). Descaramento !!!
Habituado a lavar a roupa suja em público, fez saber que os seus pares o tinham chumbado no concurso por medo da concorrência no competitivo mundo da emissão de pareceres de jurisconsultos. Descarado, sem vergonha !!
Enfim !!! Não sei se foi injustiça. Não tenho conhecimentos ou informação suficiente para avaliar. Mas se foi, há esperança de que tanta exposição raivosa tenha cobrado o seu preço. Não posso deixar de me sentir vingado. É feio querer o mal dos outros mas..., é a vida meu caro SS.

O respeito pelos políticos

Porque será que um jornalista, José Rodrigues dos Santos, em entrevista ao Dr. Marques Mendes o trata por "senhor" ? O "senhor" acha isso ? O "senhor" como explica aquilo ? O homem tem nome e é o líder da oposição. Ficava-lhe bem um pouco mais de respeito. Se a televisão, que tanto já fez para destroçar o prestígio dos políticos, não dá o exemplo, tratando-o por "Dr. Marques Mendes", como conseguiremos voltar a respeitar os políticos ? Dir-se-á que contribuir para o respeito dos políticos não é a missão das televisões. Errado. Esse é que é um verdadeiro serviço público (a cumprir por qualquer canal de televisão).
Mas pior ainda foi tentar impedir que se ouvisse a última resposta do Dr. Marques Mendes com interrupção pelo jornalista da sua última frase. De facto não interessava muito porque era uma repetição do que já havia dito. Mas a culpa foi do jornalista, que em estilo de cão que não larga o osso, insistia em explicações sobre o processo das directas. Mas fosse ou não repetição, por uma questão de respeito espera-se pelo fim da frase para dar por finda a entrevista. A continuar assim, o desprezo pelos políticos, a desconfiança em relação aos políticos irá em crescendo. Se em público não os respeitam e batem no ceguinho (porque na oposição são o bombo da festa), então, vamos mal.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

TURQUIA

A adesão da Turquia à União Europeia é um assunto que me deixou (ou deixa) hesitante e sem opinião definida durante anos. Tenho dificuldade em optar definitivamente por qualquer das duas alternativas em jogo. Creio que os argumentos são fortes nos dois sentidos.


No sentido de aceitar a adesão e por ordem de importância:


a) Argumentos políticos : seria um sinal para o mundo islâmico moderado de que existe um caminho diferente a seguir : concluir-se-ia que a democracia e o estado laico também servem o mundo muçulmano. Para eles (os moderados) a Turquia, em caso de adesão, seria um farol de liberdade. Os radicais do Islão perderiam força. A não adesão da Turquia poderia conduzir ao declínio da laicização e da tendência para a democratização do regime e favoreceria alianças com os regimes radicais do Médio Oriente e de todo o mundo muçulmano;

b) Argumentos geo-estratégicos : as fronteiras da União Europeia ficariam mais próximas das rotas dos gasodutos e dos oleodutos que constituem as fontes primordiais de energia de que a Europa é tão carecida. Por outro lado, a Turquia que já faz parte da Nato, tornaria mais firmes as alianças com o mundo ocidental e, sobretudo, com a União Europeia e seria a guarda avançada do ocidente naquela região do mundo;

c) Argumentos demográficos : a Turquia com cerca de setenta milhões de habitantes, com uma população muito jovem, traria sangue novo à União Europeia que tem uma população envelhecida;

d) Argumentos geográficos : a Turquia tem um pezinho no continente europeu;

e) Argumento histórico e cultural : Istambul foi a capital do Império Romano do Oriente e o território da Turquia fez em maior ou menor medida parte desse império. Existem aí muitos vestígios culturais da época romana e mesmo grega.


No sentido contrário à adesão e pela mesma ordem :


a) Argumentos políticos : nada a objectar à bondade dos sinais que seriam dados ao mundo islâmico moderado. Mas aceitar a Turquia no clube europeu seria criar expectativas de adesão a outros vizinhos do mundo islâmico: Marrocos, Tunísia, etc. . Será isso favorável à UE ? E a UE pretende ser uma mera associação de países para fins de divulgação e implantação da democracia ? Não parece;

b) Argumentos geo-estratégicos : o ponto de vista geo-estratégico é o grande argumento a favor da adesão;

c) Argumentos demográficos : justamente porque a Turquia tem cerca de setenta milhões de habitantes ela seria, a breve prazo, o país mais populoso da União Europeia, por força da evolução e tendências demográficas contrárias às dos actuais países da UE. Tornar-se-ia um dos países que mais facilmente poderiam impor minorias de bloqueio às decisões da União Europeia. E, por outro lado, o rejuvenescimento da população da UE far-se-ia com sangue de segunda classe (desculpem a crueza mas nem é pelo sangue...);

d) Argumento geográfico : de nada vale o argumento geográfico. Mais facilmente se integraria Israel na UE;

e) Argumento histórico e cultural : é o verdadeiro argumento contra a adesão. Eis o cerne da questão.


O que têm os turcos a ver com os europeus do ponto de vista histórico, religioso e cultural ? A história da Turquia, herdeira do Império Otomano, opõe-se à história europeu. Em nada converge com ela. Até inícios do século vinte a Turquia era um império temível para a europa dos balcãs e durante séculos manteve o império austro-húngaro em respeito, tendo o conflito entre os dois impérios chegado às portas de Viena. E da parte do império otomano não era simples ambição territorial. Era uma veleidade de expansão religiosa que apenas parou porque o império austro-húngaro lhe fez frente. Essa ameaça durou até ao século XIX.

Os europeus não vêm nas religiões motivo de discórdia porque cada vez são menos religiosos. Mas essa não é a atitude dos turcos. O proselitismo muçulmano e o radicalismo religioso fanático é ainda muito forte do lado da Turquia, apesar dos sectores laicizantes e modernos de uma parte do país. Daí que a falta de ânimo para o combate religioso da parte dos europeus não facilite a pretensão turca. Apenas desarma os europeus face ao radicalismo religioso cuja crueza ignoram.

E é a própria religião que conduziu ao afastamento cultural entre a Europa cristã e a Turquia. Apesar de ocupar a região mais helenizada da Ásia e de ter herdado parte do espólio cultural greco-romano, a Turquia apenas possui vestígios dessa presença cultural. O apelo do islão foi ao longo dos últimos séculos mais sedutor do que o humanismo e os avanços culturais dos impérios clássicos. Pode-se admitir que até ao século XIV a influência clássica sobre o islão tenha sido importante. Mas o Islão entrou em decadência desde essa época áurea até à presente data. Vive uma Idade de Trevas. Não temos muito em comum, nós europeus, com os turcos.


O que se pretenda com a construção europeia.


Penso que o balanço entre vantagens e desvantagens da adesão da Turquia à União Europeia é francamente contrária à pretensão daquele país muçulmano. Porém, o voluntarismo das elites da construção europeia fácilmente trucidaria a força dos argumentos contrários a essa adesão. Os europeus têm-se tornado pouco realistas com as facilidades das últimas décadas: o crescimento económico que se tem feito sentir desde o fim da Segunda Guerra Mundial; e o guarda-chuva americano que nos protege sem cessar e sem necessidade de esforço em investimento na nossa própria defesa. Mas o progresso económico que dava para todas as aventuras parece estar esgotado. E depender do guarda-chuva americano não tem sido mau de todo mas tira-nos, decerto, alguma influência política mundial.

Todavia, na cegueira da falta de realismo político, chegou-se a ouvir (Álvaro de Vasconcelos, Presidente do Instituto de Estudos Estratégicos Internacionais), em argumento favorável à adesão da Turquia e, posteriormente, de outros estados do Norte de África e do Médio Oriente, que a União Europeia era uma espécie de EMBRIÃO DE UM GOVERNO MUNDIAL (grandioso e patético, né ?) onde todos cabem desde que cumpram as regras da democracia e dos direitos humanos. Claro que, se é isto que queremos para a UE, então parece razoável deixar entrar a Turquia. Dizem que o autor da ideia é mero fantoche americano e que os EUA querem uma Europa que não se mova até estrebuchar de inanição. Não creio que os americanos queiram eliminar um concorrente e perder um aliado. Mas sabe-se lá.... Talvez não acreditem na possibilidade de a União Europeia ser politicamente forte. Cabe-nos aos europeus mostrar-lhes que estão enganados. Se é que o queremos.


Entre o achado do Embrião de Governo Mundial e a recusa de adesão da Turquia à UE há, porém, outros figurinos.

Poder-se-ia imaginar um quadro em que o alargamento da zona de influência europeia se ficasse apenas por este país.
E, no entanto, seria a UE, só com esse acrescento, compatível com o que pretendemos para a Europa ? Os europeístas convictos e adeptos de um estado federal forte querem que a Europa se prepare para ser uma força política e militar credível (económica ainda é) com quem os seus aliados possam contar e que tenha uma voz respeitada no mundo. Será isso irrealismo, também ? Admitamos que não é irrealismo e que esse é o objectivo dos europeístas de gema...... (continua)



quinta-feira, 5 de julho de 2007

A mama deve ser gorda

Porque será que certas pessoas podem fazer as maiores burradas públicas e ninguém as sova ? Penso que a receita passa por ter uma ligação à cultura, ou à esquerda (PS incluído na esquerda). Mas se se tiver as duas qualidades, ie, ser-se de esquerda e, simultâneamente, de alguma forma ter ligação à cultura, então a impunidade é total. Mais ainda se acumular a qualidade de maçon. Mas a menção à seita isotérica é apenas um à parte.
O Mega Ferreira, por exemplo, é um excelente exemplar daquela tese. Ligado ao PS e com um percurso de jornalista/ensaísta, chegou ao cargo que ocupa no Centro Cultural de Belém (CCB) sem surpresa para ninguém. Imprevistamente, porém, o homem chocou com o ego do Berardo e não deu conta dos estragos que isso lhe provocou. Foi contratado para gerir aquela casa mas a meio do mandato, tiraram-lhe uma fatia do bolo. Claro que não gostou. Quem gostaria ? Parece que discordou (disse ele) da instalação do Museu da Colecção Berardo no CCB. Mas para evitar inconvenientes para os seus amigos do Governo que o haviam nomeado, não levantou ondas. Aceitou, até, ser presidente da comissão instaladora do museu por convite do Berardo. O Berardo é um grosso; toda a gente vê. E, vai daí, na véspera da inauguração o Mega resolveu evidenciar o seu desagrado pela ideia. Recusou hastear bandeirinhas alusivas ao museu Berardo no CCB.

Não sei se a ideia do Berardo nos vender o que coleccionou é ou não boa ou se o Estado faz ou não um bom negócio com o Berardo. O Mega pelo menos acha que a instalação do Museu ali foi uma péssima ideia. Já o disse e talvez tenha razão. Mas agora que já fez o favor de não levantar ondas aos seus amigos, silenciando o seu desagrado e permitindo que fosse àvante a ideia de que discordava, parece que seria altura de bater com a porta.

Em situação normal já lhe teriam posto os patins porque não se pode recusar as bandeirinhas ao Berardo, criando meio sururu no dia da inauguração. É que o Berardo, impante de grana e grosso como é, imediatamente lhe mostrou quem manda. Não foi edificante e pensei que o Mega, só com meio CCB para administrar e já livre para tomar as atitudes que entendesse, pois já não sobrava dúvida sobre a sua oposição à instalação do Museu, acabaria por pedir a demissão. Mas a mama deve ser suficientemente gorda para poder engolir o sapo.
P.S. Declaração de interesses : "nada tenho contra mamas gordas".
Já depois de publicar o quadradinho de banda desenhada, lembrei-me que aquela dúvida não existiria se o quadradinho trouxesse a seguinte legenda "As mulheres amadurecem mais cedo". Por isso quando os homens amadurecem, na meia idade, acabam por tirar uma passageira vantagem.