A RTP1 difundiu hoje (Telejornal das 20 h. de 14/08/07) uma reportagem sobre as pessoas mais ricas de Portugal com base numa classificação que a revista Exame dá à estampa anualmente. Mencionaram o nome dos três mais ricos: Belmiro de Azevedo, Américo Amorim, José Manuel de Mello e ainda outros "menos afortunados". No fim a reportagem resumia: "os 100 mais ricos detêm uma fortuna avaliada em cerca de 34 mil milhões de euros". E, de imediato, apresentavam um quadro que referia que esse valor correspondia a 20% do PIB português e, simultâneamente, uma voz feminina estabelecia a confusão “…a soma das fortunas dos 100 mais ricos corresponde a 20% da riqueza nacional”.
Que um telejornal de referência faça confusão entre PIB e património nacional, é uma vergonha. Ou será intencional e, com má fé, pretende-se aumentar artificialmente a revolta pelas desigualdades de fortuna e alimentar conversas de caserna ?
terça-feira, 14 de agosto de 2007
segunda-feira, 13 de agosto de 2007
Reportagem Incendiária
A RTP começou hoje (13 /08/2007) o Telejornal das 20 horas com uma reportagem alarmista sobre a queda dos mercados bolsistas. A queda tinha sido na sexta feira dia 10 de Agosto. (imagino que na sexta feira tenham sido apanhados desprevenidos e mantiveram-se no caso Maddie). Alguém decidiu então mandar fazer uma reportagem sobre o assunto. Veio a verificar-se que durante o dia 13, segunda feira, os mercados tiveram tendência a corrigir da queda bolsista de sexta feira mas, mesmo assim, abriram fogo com vocabulário incendiário sobre as “assustadoras” quedas bolsistas com descrições acerca do “pânico” dos investidores como se a reportagem tivesse actualidade. De seguida trucidaram o Banco Central Europeu (BCE) que, para resolver um problema de liquidez do sistema financeiro europeu, terá posto à disposição dos bancos mais de 40 mil milhões de euros. Na reportagem a RTP, de forma crítica, censurava o fornecimento de liquidez ao mercado que seria a responsável pelas previstas novas subidas de taxas de juro.
Parece que a reportagem, feita pelo amador de serviço, estaria pronta e na RTP não quiseram perder a oportunidade de mostrar que alguém tinha trabalhado no fim de semana. Mesmo que a realidade da correcção ocorrida nos mercados bolsistas no dia de hoje tivesse inutilizado o trabalho e que o BCE considere que os mercados estão normalizados com a ampla liquidez conferida ao mercado, o execrável serviço público não se comoveu.
Ao serviço de quem estarão a RTP e José Rodrigues dos Santos que suponho seja o editor daquele Telejornal ? Como é possível que a RTP, com o alcance que um canal de televisão público tem, possa ser tão irresponsável ? A arrogância e irresposbilidade dos jornalistas está ali bem documentada.
E como uma cereja em cima de um bolo, ainda nos pisca o olho como se fôssemos crianças e talvez seus cúmplices.
Miguel Rosa
Parece que a reportagem, feita pelo amador de serviço, estaria pronta e na RTP não quiseram perder a oportunidade de mostrar que alguém tinha trabalhado no fim de semana. Mesmo que a realidade da correcção ocorrida nos mercados bolsistas no dia de hoje tivesse inutilizado o trabalho e que o BCE considere que os mercados estão normalizados com a ampla liquidez conferida ao mercado, o execrável serviço público não se comoveu.
Ao serviço de quem estarão a RTP e José Rodrigues dos Santos que suponho seja o editor daquele Telejornal ? Como é possível que a RTP, com o alcance que um canal de televisão público tem, possa ser tão irresponsável ? A arrogância e irresposbilidade dos jornalistas está ali bem documentada.
E como uma cereja em cima de um bolo, ainda nos pisca o olho como se fôssemos crianças e talvez seus cúmplices.
Miguel Rosa
quinta-feira, 2 de agosto de 2007
Curiosidades
a) Khodorkovski, o ex-magnata russo da Ioukos (grupo petrolífero que já era). Num livro publicado por Valery Paniouchkine, "O Prisioneiro do Silêncio - Ascensão e Queda de Mikhail Khodorkovski" o retratado dá ao jornalista, autor do livro, uma entrevista que diz algo significativo para se compreender melhor a evolução que a URSS sofreu até ao actual capitalismo da Rússia : ".....Khodorkovski reconhece que nos anos 90, a condução dos seus negócios era contrária à justiça e à moral. Mas não ilegal porque, na situação de vazio jurídico em que se vivia, a legalidade ou ilegalidade media-se pela aprovação do poder político. ......"
Fonte : Esther Mucznik, jornal Público de 2 de Agosto de 2007.
b) "Os chimpanzés são tão humanos quanto nós, só que de outra espécie." Título de um artigo com chamada de primera página numa edição recente do Público (há cerca de dois meses). A maior parte das pessoas vêem imediatamente o ridículo da afirmação mas, inesperadamente, há quem a ache razoável. A questão importante era perceber o porquê desse desvio de sensibilidade. Um gosto por ser original ? Por ser prá frentex ? Serão simplesmente pedantes ? Não acerto na resposta, certamente.
Mas o argumento de quem gosta da frase é : "... a frase diz-me algo porque de facto tudo é relativo. Todas as diferenças são apenas uma questão de grau". E desatam a dissertar sobre a percentagem de genes comuns entre os humanos e os chimpanZÉS. Falam como um livro aberto; muito cultos mesmo. E eu que pensava que não nos confundiam com os ZÉS da espécie Chimpan. Pensava eu cheio de pelo e um pouco achimpanzado que as palavras tinham mais significado. Claro que somos nós que convencionamos o sentido das palavras. Mas julgava que a espécie humana éramos apenas nós; nós os Zés de uso corrente, uns baptizados outros não. E que o diferente grau era a essência mesma da diferença.
E lembrei-me com isto do meu primeiro contacto com o pós-modernismo na linguagem, fez trinta anos já. Um colega de faculdade de então, em conversa amena começa a perorar sobre a inexistência do altruísmo. Para ele só havia egoísmo. A realidade "altruísmo" era apenas nossa construção que a nada correspondia. E muito satisfeito com a sua esperteza explicava: "aquilo a que chamam altruísmo é mero egoísmo de gente que tira para si mesma um prazer que resulta de pensar nos outros ou a actuar para o bem de outros". Uns sonsos, certamente. Só que à primeira objecção, borregou. Mas se é tudo egoísta como se explicam as diferentes consequências das duas atitudes ? Dos altruístas saem obras úteis para as pessoas. Dos egoístas, enquanto actuem ou pensem nessa qualidade, só resultam benefícios para si próprios (salvo engano ou coincidência). Poderei continuar a usar esse vocábulo ? Perguntei. Não obtive resposta clara.
O pós-modernismo é de facto castrador. E os seus cultores esgotam-se em masturbações intelectuais cansativas e improdutivas. No mundo clássico e ante-moderno a inteligência residia em saber fazer distinções, em perceber as diferenças que as sensibilidades mais finas podiam explicar. No mundo pós-moderno usa-se a inteligência para confundir todos, relativizando e igualizando tudo. Nem a analogia se salva face à "isologia"(neologismo meu); distinguir é obra menor. Só quem igualiza se distingue, parecem disso estar convencidos.
E eu só conheço as manifestações elementares e popularizadas do fenómeno. Parece que o movimento tem ramificações científicas (nas ciências sociais) que ainda não são do domínio do comum dos mortais. Que falta de paciência para ouvir os próceres mais conhecidos do movimento: Eduardo Prado Coelho e Boaventura Sousa Santos.
c) O António já começou a fazer concessões à demagogia e ao ZÉ (que não se vê a quem faça falta). Só o António não vê que vai ter que carregar com ele às costas. Ou talvez seja para o co-responsabilizar na gestão da CML por ser quem mais lhe pode disputar o eleitorado à esquerda. Os lisboetas seriam broncos para isso. O ZÉ já leva 14 denúncias, processos judiciais e providências cautelares e os tribunais já decidiram por 7 vezes, em nenhuma delas lhe dando razão; pelas outras 7, aguardemos. Se não alimentam o "puro", o "puro" denuncia. No seu afã de justiça social, que julga ser o único a prosseguir, o ZÉ já conseguiu do António, à custa dos promotores imobiliários, que as novas aprovações de projectos imobiliários pela CML satisfaçam um requisito: que 20% dos fogos desses projectos sejam vendidos ou arrendados a preços controlados. O acordo do ZÉ com o António, por enquanto, é ilegal. O Governo vai ter que legislar, o PDM vai ter que ser alterado. Mas o António tem amigos no Governo e vai consegui-lo. Por outro lado, o António ganha um seguro de viagem: a promessa do ZÉ não o torpedear com processos que o poderiam levar à condição de arguido. E como brinde o ZÉ leva um pelourinho : o do Ambiente, para poder meter o nariz em tudo e tudo emperrar. Boa sorte alfacinhas.
Fonte : Esther Mucznik, jornal Público de 2 de Agosto de 2007.
b) "Os chimpanzés são tão humanos quanto nós, só que de outra espécie." Título de um artigo com chamada de primera página numa edição recente do Público (há cerca de dois meses). A maior parte das pessoas vêem imediatamente o ridículo da afirmação mas, inesperadamente, há quem a ache razoável. A questão importante era perceber o porquê desse desvio de sensibilidade. Um gosto por ser original ? Por ser prá frentex ? Serão simplesmente pedantes ? Não acerto na resposta, certamente.
Mas o argumento de quem gosta da frase é : "... a frase diz-me algo porque de facto tudo é relativo. Todas as diferenças são apenas uma questão de grau". E desatam a dissertar sobre a percentagem de genes comuns entre os humanos e os chimpanZÉS. Falam como um livro aberto; muito cultos mesmo. E eu que pensava que não nos confundiam com os ZÉS da espécie Chimpan. Pensava eu cheio de pelo e um pouco achimpanzado que as palavras tinham mais significado. Claro que somos nós que convencionamos o sentido das palavras. Mas julgava que a espécie humana éramos apenas nós; nós os Zés de uso corrente, uns baptizados outros não. E que o diferente grau era a essência mesma da diferença.
E lembrei-me com isto do meu primeiro contacto com o pós-modernismo na linguagem, fez trinta anos já. Um colega de faculdade de então, em conversa amena começa a perorar sobre a inexistência do altruísmo. Para ele só havia egoísmo. A realidade "altruísmo" era apenas nossa construção que a nada correspondia. E muito satisfeito com a sua esperteza explicava: "aquilo a que chamam altruísmo é mero egoísmo de gente que tira para si mesma um prazer que resulta de pensar nos outros ou a actuar para o bem de outros". Uns sonsos, certamente. Só que à primeira objecção, borregou. Mas se é tudo egoísta como se explicam as diferentes consequências das duas atitudes ? Dos altruístas saem obras úteis para as pessoas. Dos egoístas, enquanto actuem ou pensem nessa qualidade, só resultam benefícios para si próprios (salvo engano ou coincidência). Poderei continuar a usar esse vocábulo ? Perguntei. Não obtive resposta clara.
O pós-modernismo é de facto castrador. E os seus cultores esgotam-se em masturbações intelectuais cansativas e improdutivas. No mundo clássico e ante-moderno a inteligência residia em saber fazer distinções, em perceber as diferenças que as sensibilidades mais finas podiam explicar. No mundo pós-moderno usa-se a inteligência para confundir todos, relativizando e igualizando tudo. Nem a analogia se salva face à "isologia"(neologismo meu); distinguir é obra menor. Só quem igualiza se distingue, parecem disso estar convencidos.
E eu só conheço as manifestações elementares e popularizadas do fenómeno. Parece que o movimento tem ramificações científicas (nas ciências sociais) que ainda não são do domínio do comum dos mortais. Que falta de paciência para ouvir os próceres mais conhecidos do movimento: Eduardo Prado Coelho e Boaventura Sousa Santos.
c) O António já começou a fazer concessões à demagogia e ao ZÉ (que não se vê a quem faça falta). Só o António não vê que vai ter que carregar com ele às costas. Ou talvez seja para o co-responsabilizar na gestão da CML por ser quem mais lhe pode disputar o eleitorado à esquerda. Os lisboetas seriam broncos para isso. O ZÉ já leva 14 denúncias, processos judiciais e providências cautelares e os tribunais já decidiram por 7 vezes, em nenhuma delas lhe dando razão; pelas outras 7, aguardemos. Se não alimentam o "puro", o "puro" denuncia. No seu afã de justiça social, que julga ser o único a prosseguir, o ZÉ já conseguiu do António, à custa dos promotores imobiliários, que as novas aprovações de projectos imobiliários pela CML satisfaçam um requisito: que 20% dos fogos desses projectos sejam vendidos ou arrendados a preços controlados. O acordo do ZÉ com o António, por enquanto, é ilegal. O Governo vai ter que legislar, o PDM vai ter que ser alterado. Mas o António tem amigos no Governo e vai consegui-lo. Por outro lado, o António ganha um seguro de viagem: a promessa do ZÉ não o torpedear com processos que o poderiam levar à condição de arguido. E como brinde o ZÉ leva um pelourinho : o do Ambiente, para poder meter o nariz em tudo e tudo emperrar. Boa sorte alfacinhas.
Choque Ideológico - o "puro"
Aqui há tempos, quando o novo presidente francês veio ao Ecofin defender a derrogação em relação à França do Pacto de Estabilidade e Crescimento para poder ter margem para baixar os impostos, ouvi no programa Choque Ideológico da RTP o "puro" Rui Tavares , que tinha como adversário o mais profundo e puro (sem aspas) mas menos agressivo Pedro Lomba, queixar-se amargamente da aceitação que a UE parece ter dado a essa ideia de âmbito fiscal e orçamental. Dizia o "puro" com tristeza e indignação : " a ele (Sarkozy) autorizam mas se fosse a Ségolène a propor uma folga orçamental para poder acudir aos mais desfavorecidos com novas políticas sociais, aí não autorizariam e diriam que a Senhora Ségo tem propostas irresponsáveis e nem sabe fazer contas." It is an injustice, it is. Snif, snif, diria o Calimero. O homem não enxerga que autorizam o Sarkozy porque a política de diminuição de impostos pode servir de alavanca para relançar a economia e permitir um equilíbrio mais rápido e saudável das finanças francesas (essa pelo menos, é a razão da aceitação pela UE da ideia do Sarkozy). Pelo contrário, as novas políticas sociais da Ségolène apenas trariam mais encargos para o Estado que, como se sabe, não há quem não queira emagrecer, incluindo grande parte da esquerda. Infelizmente o Pedro Lomba não reagiu à altura da choradeira do seu "puro" adversário.
O "puro" intitula-se historiador. Gostaria de saber que História conseguirá fazer com tanto fanatismo de avaliação. Não é apenas por este episódio que se lhe reconhece a histeria esquerdista. O pingue-pongue no jornal Público com a Helena Matos é bem prova disso. Há tempos, recusava-se a ler o estudo da CIP sobre a localização do Novo Aeroporto de Lisboa porque não se sabia quem o havia financiado. Foi dessa vez que o Vasco Pulido Valente, com razão, lhe deu o cognome de o "Puro". Não haverá mais ninguém para fazer um pingue-pongue de melhor nível com Helena Matos ? Ela merecia mais.
O "puro" intitula-se historiador. Gostaria de saber que História conseguirá fazer com tanto fanatismo de avaliação. Não é apenas por este episódio que se lhe reconhece a histeria esquerdista. O pingue-pongue no jornal Público com a Helena Matos é bem prova disso. Há tempos, recusava-se a ler o estudo da CIP sobre a localização do Novo Aeroporto de Lisboa porque não se sabia quem o havia financiado. Foi dessa vez que o Vasco Pulido Valente, com razão, lhe deu o cognome de o "Puro". Não haverá mais ninguém para fazer um pingue-pongue de melhor nível com Helena Matos ? Ela merecia mais.
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