a) Khodorkovski, o ex-magnata russo da Ioukos (grupo petrolífero que já era). Num livro publicado por Valery Paniouchkine, "O Prisioneiro do Silêncio - Ascensão e Queda de Mikhail Khodorkovski" o retratado dá ao jornalista, autor do livro, uma entrevista que diz algo significativo para se compreender melhor a evolução que a URSS sofreu até ao actual capitalismo da Rússia : ".....Khodorkovski reconhece que nos anos 90, a condução dos seus negócios era contrária à justiça e à moral. Mas não ilegal porque, na situação de vazio jurídico em que se vivia, a legalidade ou ilegalidade media-se pela aprovação do poder político. ......"
Fonte : Esther Mucznik, jornal Público de 2 de Agosto de 2007.
b) "Os chimpanzés são tão humanos quanto nós, só que de outra espécie." Título de um artigo com chamada de primera página numa edição recente do Público (há cerca de dois meses). A maior parte das pessoas vêem imediatamente o ridículo da afirmação mas, inesperadamente, há quem a ache razoável. A questão importante era perceber o porquê desse desvio de sensibilidade. Um gosto por ser original ? Por ser prá frentex ? Serão simplesmente pedantes ? Não acerto na resposta, certamente.
Mas o argumento de quem gosta da frase é : "... a frase diz-me algo porque de facto tudo é relativo. Todas as diferenças são apenas uma questão de grau". E desatam a dissertar sobre a percentagem de genes comuns entre os humanos e os chimpanZÉS. Falam como um livro aberto; muito cultos mesmo. E eu que pensava que não nos confundiam com os ZÉS da espécie Chimpan. Pensava eu cheio de pelo e um pouco achimpanzado que as palavras tinham mais significado. Claro que somos nós que convencionamos o sentido das palavras. Mas julgava que a espécie humana éramos apenas nós; nós os Zés de uso corrente, uns baptizados outros não. E que o diferente grau era a essência mesma da diferença.
E lembrei-me com isto do meu primeiro contacto com o pós-modernismo na linguagem, fez trinta anos já. Um colega de faculdade de então, em conversa amena começa a perorar sobre a inexistência do altruísmo. Para ele só havia egoísmo. A realidade "altruísmo" era apenas nossa construção que a nada correspondia. E muito satisfeito com a sua esperteza explicava: "aquilo a que chamam altruísmo é mero egoísmo de gente que tira para si mesma um prazer que resulta de pensar nos outros ou a actuar para o bem de outros". Uns sonsos, certamente. Só que à primeira objecção, borregou. Mas se é tudo egoísta como se explicam as diferentes consequências das duas atitudes ? Dos altruístas saem obras úteis para as pessoas. Dos egoístas, enquanto actuem ou pensem nessa qualidade, só resultam benefícios para si próprios (salvo engano ou coincidência). Poderei continuar a usar esse vocábulo ? Perguntei. Não obtive resposta clara.
O pós-modernismo é de facto castrador. E os seus cultores esgotam-se em masturbações intelectuais cansativas e improdutivas. No mundo clássico e ante-moderno a inteligência residia em saber fazer distinções, em perceber as diferenças que as sensibilidades mais finas podiam explicar. No mundo pós-moderno usa-se a inteligência para confundir todos, relativizando e igualizando tudo. Nem a analogia se salva face à "isologia"(neologismo meu); distinguir é obra menor. Só quem igualiza se distingue, parecem disso estar convencidos.
E eu só conheço as manifestações elementares e popularizadas do fenómeno. Parece que o movimento tem ramificações científicas (nas ciências sociais) que ainda não são do domínio do comum dos mortais. Que falta de paciência para ouvir os próceres mais conhecidos do movimento: Eduardo Prado Coelho e Boaventura Sousa Santos.
c) O António já começou a fazer concessões à demagogia e ao ZÉ (que não se vê a quem faça falta). Só o António não vê que vai ter que carregar com ele às costas. Ou talvez seja para o co-responsabilizar na gestão da CML por ser quem mais lhe pode disputar o eleitorado à esquerda. Os lisboetas seriam broncos para isso. O ZÉ já leva 14 denúncias, processos judiciais e providências cautelares e os tribunais já decidiram por 7 vezes, em nenhuma delas lhe dando razão; pelas outras 7, aguardemos. Se não alimentam o "puro", o "puro" denuncia. No seu afã de justiça social, que julga ser o único a prosseguir, o ZÉ já conseguiu do António, à custa dos promotores imobiliários, que as novas aprovações de projectos imobiliários pela CML satisfaçam um requisito: que 20% dos fogos desses projectos sejam vendidos ou arrendados a preços controlados. O acordo do ZÉ com o António, por enquanto, é ilegal. O Governo vai ter que legislar, o PDM vai ter que ser alterado. Mas o António tem amigos no Governo e vai consegui-lo. Por outro lado, o António ganha um seguro de viagem: a promessa do ZÉ não o torpedear com processos que o poderiam levar à condição de arguido. E como brinde o ZÉ leva um pelourinho : o do Ambiente, para poder meter o nariz em tudo e tudo emperrar. Boa sorte alfacinhas.
quinta-feira, 2 de agosto de 2007
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