terça-feira, 6 de novembro de 2007
Duas pequenas perplexidades.
A primeira : na contra-capa do Público, publica-se a rubrica "Sobe e desce" que tem um pequeno texto e fotografia dos visados , e onde se valoriza quem tem mérito (com uma seta a subir) e denigre-se o demérito (com uma seta a descer). Hoje, 6 de Nov. 2007, aparece a descer imagine-se quem ? D. Salvatore "Lo Piccolo". O personagem é um chefe da Mafia que foi preso depois de passar 25 anos na clandestinidade. Como "Lo Piccolo", por causa do seu métier, só podia estar com a seta a descer, procuro, e à primeira não alcanço, o motivo por que "Lo Piccolo" tem direito a comparecer na rubrica. Mas pensando um pouco, lá descobri (pensar sempre ajuda). Deve ser porque o homem se deixou prender !!!! Enquanto andou solto, a fazer tropelias, devia ter aparecido com a seta subir. Alguém, porém, se esqueceu do pequeno Piccolo e nunca foi distinguido com tal sorte.
A segunda : Informam-me que António Lobo Antunes em entrevista à revista Visão declara: "... não tenho a menor dúvida de que não há, na língua portuguesa, quem me chegue aos calcanhares". Percebo que a comparação abrange também as outras literaturas em português, brasileira e outras. A frase não tem erros, vá lá. Mas o homem é um vaidosão. Isso é patente quando é entrevistado na rádio. Pressente-se o pedante a olhar para o tom da sua voz e para o efeito das suas palavras, igual ao vaidoso a olhar no espelho o seu umbigo. Parece que o azedume que, em última análise, é o que está por detrás da prosápia, não é mais do que a raiva ao Saramago que, por seu lado, não é pedante mas é um ressabiado social que atingiu o estrelato. Um antipático, enfim... . Como pessoa prefiro a Agustina que é por certo comparável na escrita a estes dois matulões. A Agustina é doce e cúmplice no trato e guarda o vinagre e os defeitos da virtude para as suas personagens.
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