Carta à Maria Luísa de 26 de Novembro de 2007 na sequência da carta não enviada à Inês.
Querida Mana Manitu (Manitu é um Deus índio da América do Norte, se te lembras).
Não vale a pena alongar-me sobre o assunto da Irmã Puridade-Fraternidade. Desisti de lhe enviar seja o que for. Quanto ao Árctico, e apenas me referi ao Árctico, trata-se de um oceano e na conversa com a Irmã Fraternidade apenas nos referimos ao Árctico. Eu sei que há outros gelos e que não são oceanos. Mas o meu raciocínio apenas queria chamar a atenção sobre a irresponsabilidade dos alarmistas. É que nem têm o cuidado de dizer uma coisa que é óbvia mas que mesmo depois de eu te explicar parece não entenderes. Mas volto a explicar: "o volume da água transformada em gelo é 10% maior que o volume da mesma água em estado líquido. E é esse aumento de 10% que fica fora de água. Com o degelo esse volume perde os 10% que tinha a mais e a água resultante do degelo (do oceano Árctico, apenas e os gelos das baías da Antártida e da Gronelândia) passa a ocupar os 90% do volume que a massa de gelo já ocupava sob a água. Isto é, não vai haver aumento do nível das águas pelo degelo do Árctico."
Por outro lado, outras teorias negam que qualquer dos polos degele. Dizem, essas teorias, que os polos são tão frios que, mesmo com o aquecimento global, o que aconteceria é que as neves se acumulariam mais nos polos. Isso por efeito do aumento da precipitação em chuva que resultaria de uma maior evaporação (lógica !!!) com o aumento de temperatura. Portanto choveria mais em todo o lado, nomeadamente, nos polos. E esse acréscimo de chuva nos pólos (dado que as temperaturas aí se manteriam muito abaixo do ponto de congelação) contribuiria para a elevação dos gelos nas latitudes mais extremas o que compensaria o eventual degelo das franjas polares.
Entendamos estas teorias como explicações (defendidas por gente categorizada ao nível das Universidades americanas e europeias e mesmo asiáticas e que constavam de uns documentários que te mandei via Jaime antes do Verão mas que devem ter-te soado a heresia) que sustentam que a própria Terra tem um sistema de equilíbrio muito mais sofisticado do que os alarmistas gostam de anunciar. Mas cada um acredita no que quer. Tenho é pena que tenhamos deixado de ser religiosos para passar a ter outras fés. Somos de facto incorrigíveis. É que eu vejo estas manipulações de informação como formas de criar mitos, o que não tem muito a ver comigo, sendo, como sou, vítima (?) de um racionalismo feroz.
Por fim concordo que devemos ter cuidado com o que gastamos. Espero que, apesar das minhas ideias, não me consideres um esbanjador de energia ou outros bens de consumo. Pelo menos não mais que qualquer um de nós, cá em casa. Nem gosto de ir a praias sujas como parece que tu imaginas que eu gosto. As necessidades vão-nos impondo práticas novas. Só não quero que seja o medo excessivo a limitar-nos. E há uma burocracia internacional, de que a tua Irmã Puridade faz parte, que me assusta. A nova coqueluche das instâncias burocráticas internacionais é a falta de água (de há uns anos para cá que essa mana fala disto). E foi por lhe ter enviado, com umas graças à mistura, este ficheiro (que anexo) que a discussão estalou. A Mana Puridade não gosta que lhe chamem a atenção para o facto de fazer parte dessas instâncias que descobrem "issues" para justificar o seu trabalho. Claro que não trabalha em nenhuma organização ambientalista mas o seu coração condoído com os desvalidos e com as grandes causas mundiais é um só. E já vai a congressos do IPCC (organização da ONU para as alterações climáticas).
Adeus Mana Bruxa (ou Madame Min se preferires). Bjus M
P.S. A propósito do medo da falta de água, não sei como compatibilizar esse medo com a convicção da inevitabilidade do aquecimento global. É que diz a ciência que choverá mais se o clima aquecer. E não estou a fazer troça das regiões que têm problemas de desertificação como o Sul de Espanha e de Portugal. Esse é "issue" muito anterior ao surgimento das novas fés.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
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