Multa de estacionamento
Hoje, sábado à noite, fui multado por estacionamento indevido. A multa por estacionamento indevido é de €30,00. Mas a Polícia Municipal anda à solta no sábado à noite e bloqueia carros em cima do passeio. O bloqueio faz subir a multa para o dobro, €60,00. No meu caso o passeio tinha 10 metros de profundidade e eu ocupei dois metros. Sabemos que o António Costa foi eleito para a Câmara sob a bandeira da perseguição ao automobilista que estacionasse em segunda fila e em cima do passeio. Em segunda fila o estacionamento prejudica a fluidez do trânsito e em caso algum faz sentido o automobilista deixar o seu carro em segunda fila e ir à sua vida. Estacionar em cima do passeio também é ilegal e se pensarmos nas situações em que os carros obstruem integralmente o passeio, não deixando espaço para a circulação de peões, aceita-se que haja dureza por parte da autoridade policial. Mas num passeio com 10 metros de profundidade, num sábado à noite, é vontade de amealhar uns cobres. Mas pior é a racionalidade da disposição legal que autoriza a cobrança em dobro de uma multa de estacionamento. O valor da multa básica, € 30,00, não tem por fim pagar o serviço de quem multa. Serve, a meu ver, para dissuadir a infracção. Que depois o Estado e as Câmaras compensem as despesas com as receitas, isso é outro negócio. Se a função da multa fosse o pagamento do serviço do polícia que autua, esse serviço estaria a ser pago principescamente, até porque €30,00 é o valor da multa mais insignificante e as outras multas mais elevadas também pagam o serviço. Por isso quando nos vêm dizer que a razão de ser do aumento do valor da multa para €60,00 serve para pagar o serviço de desbloqueamento, eu digo: “ESTÃO MEXENDO NO MEU BOLSO”. A vontade de gritar é enorme. E a impotência é desmedida. É que a vontade de recolher receita em Lisboa à custa do automobilista, deixa-me à beira da revolta. Digo por mim mas falo por todos, creio. Começa neste caso e acaba nos radares com limites de velocidade inadequados às características das vias e à qualidade dos automóveis, na sua estabilidade e na tecnologia dos travões. A qualidade dos automóveis e das vias ao tempo em que esses limites de velocidade foram pensados não tem coisa alguma a ver com a qualidade e tecnologia actuais de vias e veículos. Estão a séculos / kilómetros de distância. Já não há carroças a circular nas cidades; as vias têm semáforos e, junto a eles, há passagens para peões; os pisos e os desenhos das vias são modernos e são de qualidade (nos casos em que não forem, estabeleçam-se limites diferentes). Fará algum sentido estabelecer um limite de velocidade de 50 km à hora numa via com seis faixas de rodagem com apenas cruzamentos de um dos lados e todos com semáforos? Ainda por cima à noite quando nem sequer há trânsito. À noite quando o risco de acidente é menor, é que a Câmara começa a facturar e a salivar como o Conde Drácula. Faço um apelo à revolta. Atiremos-lhes com uma cruz, uma bala de prata, uma estocada no peito, uma resma de alhos. Qualquer coisa que acabe com o incómodo.
1 comentário:
Petição on-line em:
http://www.gopetition.com/petitions/queremos-conhecer-as-causas-dos-acidentes.html
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Na sexta-feira 2 de Novembro ocorreu o trágico atropelamento junto ao Terreiro do Paço. Na segunda-feira seguinte, 5 de Novembro, mais dois terríveis acidentes em Tires e na A23 fizeram disparar, anormalmente, em poucos dias, o número de mortos para 45.
Faz hoje duas semanas e continuamos sem saber o que realmente aconteceu.
A extraordinária cobertura mediática explica-se pela violência dos acidentes com desmembramento dos corpos, pelo envolvimento de idosos e crianças e pela existência de relações de parentesco entre as vítimas. Mas não têm surgido descrições objectivas e explicações racionais para o que realmente aconteceu. "As causas do acidente estão a ser estudadas" e receamos que nunca venham a ser claramente enunciadas para o grande público.
Esse enorme vazio propicia as teorias fantasiosas e os exageros de quem pretende aterrorizar a população apesar de saber que esta "semana negra" não tem qualquer significado estatístico. Tem-se feito uma exploração despudorada dos sentimentos dos portugueses, usando as vítimas como bandeiras de propaganda, apesar de tal ser moralmente inadmissível.
Em vez de se estudar as causas dos acidentes e procurar os remédios em conformidade tem-se feito da culpabilização abstracta dos cidadãos comuns a chave que tudo justifica. Cada vez que morre um português na estrada há fornecedores de radares e de lombas e "especialistas" consultores que aumentam as suas previsões de vendas.
A verdade é que os acidentes de viação em Portugal estão em linha com o nosso nível de desenvolvimento económico e social. Têm mesmo vindo a reduzir o seu número de forma continuada e acentuada nos últimos anos. De acordo com estudos universitários recentes morrem três vezes mais pessoas por ingestão exagerada de sal do que em acidentes de viação.
O que importa é compreender para prevenir, desdramatizar em vez de culpabilizar.
Na prevenção dos acidentes rodoviários o mais importante é o "como" e o "porquê" e não o "quem". As causas e não as culpas. Não é possível prevenir o que se desconhece ou aquilo que não se compreende.
Petition:
Os abaixo-assinados vêm por esta forma exigir que a Autoridade Nacional de Prevenção Rodoviária ponha cobro à presente indefinição e avance com relatórios para cada um dos acidentes, em que fiquem claramente estabelecidos os aspectos factuais, apurados e confirmados, os factores propiciadores ou causadores e o grau da sua influência.
Estes relatórios devem tornar-se obrigatórios sempre que há vítimas graves e ter publicação na internet. Todos os cidadãos poderão dessa forma esclarecer-se sobre os acidentes ocorridos e aprender a evitar os factores de risco.
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