segunda-feira, 10 de março de 2008

Carta ao Director do jornal Público

(carta enviada no dia 6 de Março de 2008 por email ao Pacheco Pereira e que não foi publicada no Abrupto como era de esperar)


Caro Senhor Director do Público,
Li o Público de ontem (05/03/2008) em que o Senhor foi o responsável pela edição. Costumava ouvi-lo com interesse e lê-lo com atenção. Mas agora, "m'espanto às vezes, outras me avergonho". O Senhor Director nada mais fez do que, à falta de notícias frescas, enfeitar a edição com notícias requentadas. E buscando novos sensacionalismos como fazem os jornalistas que o senhor tanto critica. Foi azar, dirá. Não havia nada melhor para o Senhor Director brilhar !!! É isso que argumentam os jornalistas.
A única coisa que ainda podia ser discutível, parece-me, era a questão de saber se, do ponto de vista do interesse público, fazia ou não falta um casino em Lisboa. Eu sobre isso não tenho opinião nem me interessa muito ter. O Senhor Director não faz nada disso. O que lhe interessa é pôr em causa o processo de decisão e, assim, argumenta no jornal, como também argumentou noutros orgãos de comunicação, com a necessidade de se ter organizado um concurso para abrir um novo casino. Isso é verdade, mas só no caso de se querer abrir a tal "casa de tavolagem" em Santarém ou em Évora que permitiria ao "tal homem" enriquecer, como refere no jornal.
Penso que sabe que a actual concessão do Casino Estoril estabelece uma cláusula que defende este casino contra a concorrência que o próprio concedente quisesse fazer em Lisboa em desfavor do concessionário. Sem ter tido acesso aos documentos que aqui comento, parece que se estabeleceu uma zona de exclusão de concorrência num perímetro de 100 kms. a contar do Estoril. Por outro lado, o ex-Ministro Morais Sarmento já veio explicar porque se aceitou que o edifício onde funciona o casino não reverta para o Estado no fim da concessão. Se bem percebi o Estado noutras concessões de casinos responsabiliza-se por metade dos custos de construção do edifício, o que não terá feito neste caso. Daí que as condições de outras concessões sejam diferentes desta e por issso nesta concessão o edifício não reverteria para o Estado no seu termo. Talvez isso se deva ao facto de o Estado estar falido. A falência ou pré-falência sempre foram péssimas alturas para fazer negócios.
Sobra o quê para a sua triste notícia ? Sobra a carta um pouco (ou muito) insolente dos responsáveis da Estoril Sol ao Ministro do Turismo ? É verdade !!! Já ninguém respeita um Ministro. E o Senhor Director sabe porquê, não sabe ? E sobra ainda a vontade de encontrar factos que demonstrassem que o Despacho do Ministro tem data anterior àquela em que de facto foi assinado ? Coisa pouca, meu caro. Óptima para brilhar em qualquer conversa de café. Desculpe mas é o que eu acho : o Senhor Director está a transformar-se em excelente conversador de café.
Com os meus cumprimentos,
Miguel Rosa

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