terça-feira, 15 de abril de 2008

O que aconteceria se em vez da Câncio fosse uma santanette ?

Caro Pacheco Pereira,
Acredito que esteja farto das minhas cartas mas tento lutar contra uma unanimidade que se instala entre os nossos comentadores a propósito de certos assuntos, nomeadamente, os que respeitam à actual liderança do PSD.
Imagino que amanhã aproveitem na Quadratura do Círculo para criticar a actuação dos dirigentes do PSD no ataque a Fernanda Câncio. Eu não conheço a actuação da senhora jornalista mas dizem-me que faz jornalismo partidário com parcialidade no Diário de Notícias, a favor do PS e criticando o PSD. Acontece que a senhora será namorada do primeiro ministro. E que terá sido contratada pela RTP para fazer um programa de televisão.
A senhora jornalista está no seu direito de fazer jornalismo com parcialidade. É uma questão de competência. Está também no seu direito de ser namorada do primeiro ministro. É uma questão de gosto. Pode até ser contratada pela RTP para fazer um programa televisivo. É uma questão partidária. Nada disso é importante e talvez não merecesse comentário da direcção do principal partido da oposição. Não, nem esse facto me escandalizaria.
Há três dias que os comentadores televisivos e de jornais não se calam contra a direcção do PSD. Ontem foi o Vicente Jorge Silva e a Paula Teixeira da Cruz na Sic Notícias. Hoje também neste canal foi o José Miguel Júdice e o António Barreto. Este até comparou o caso com a crítica feita há 30 anos a Sá Carneiro pela situação em que vivia com a Snu Abecassis. Nem comparável é, só que... tem autoridade a comparação.
Troquemos,porém, os actores e imagine-se o Santana Lopes no poder, com uma namorada jornalista engajada e crítica do PS na oposição. Junte-se-lhe uma encomenda de uma empresa do Estado, a RTP. Misture-se tudo muito bem. Espere-se meia hora e o souflé de indignação nacional durará uma semana até se conseguir a revogação do contrato com a namorada do menino da incubadora. Não esquecer que neste caso a senhora jornalista seria alcunhada de Santanette.
Conclusão:
a) no caso da Câncio, por ser do PS, a indignação com o PSD dura 3 ou 4 dias e afoga-se o caso;
b) no caso da hipotética Santanette, por ser do PSD, a indignação com o PSD duraria o tempo suficiente para provocar todo o dano que fosse possível.
Se isto não é duplicidade, o que é duplicidade ? Vou gostar de o ouvir amanhã na Quadratura do Círculo.
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Outro caso de duplicidade: na semana passada o primeiro ministro no Parlamento arreou a giga e, virando-se para o líder de bancada do PSD, o namorado da eventual Santanette, esganiçou-se: "Vá !! Diga lá qualquer coisinha !!! Vá lá !!! Diga lá qualquer coisinha sobre as suas opções sobre política energética, se as tiver !!!" O tom foi verdadeiramente de peixeira.
Alguns telejornais nem a resposta do Santana passaram. Mas houve um que de facto passou (não me lembro qual). Disse o Santana : "o tom das suas palavras não dignificam o Parlamento nem são próprios das funções que o senhor exerce". A resposta foi digna. Mas ninguém criticou o primeiro ministro. Pudera !! Se até os comentadores da área do PSD se entretêm a bater no novo bébé da incubadora, como esperar que os da área adversária tomem as dores do antigo bébé !!!
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E a Teresa de Sousa, comentando a vitória do Berlusconi ? A vitória tinha o senão de ser um dejá vu, dizia a senhora jornalista. Pode ser que sim. Mas quando o Romano Prodi ganhou as últimas eleições nunca lhe ouvi esse comentário. Aí não via com certeza o dito dejá vu, antes lhe parecia uma segunda oportunidade.

Por hoje é tudo,
com os melhores cumprimentos
Miguel Rosa
(hoje: 16/04/08)

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